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28/11/2009 - 12h15

Empresários lusos creem que crise em Dubai é passageira

Porto, 28 nov (Lusa) - Os empresários portugueses com negócios nos Emirados Árabes Unidos acreditam que a crise em Dubai é passageira, e mantêm projetos para este mercado, reforçando, porém, a aposta em Abu Dhabi.

O diretor-financeiro da Pablo Fuster, Diogo Fontela, acabou de voltar de uma viagem de seis dias aos Emirados Árabes Unidos, onde participou de uma feira e buscou parceiros para lançar uma rede de franquias da marca portuguesa de sapatos.

"Os nossos planos vão manter-se, porque todos os outros emirados estão de boa saúde. Têm uma estrutura de varejo que está a ser criada com bases financeiras fortes no segmento em que nos enquadramos", disse Fontela à Agência Lusa, acrescentando que objetivo é abrir lojas, nos Emirados Árabes, já em 2010.

O designer de calçado Luís Onofre atualmente produz a primeira encomenda de sapatos para uma rede de lojas de Dubai, fruto de contatos realizados durante a visita oficial do ex-ministro da Economia Manuel Pinho aos Emirados Árabes, em junho.

"Fiquei apreensivo quando me deram a notícia. Tenho que me inteirar melhor da situação, mas espero que não afete o negócio, porque a expectativa era aumentar bastante o volume de vendas para aquele mercado", disse Onofre.

A Coba, empresa de consultoria de engenharia e ambiente, está nos Emirados Árabes há três anos, e concentrou sua atividade, principalmente, na capital política, Abu Dhabi, onde são feitos grandes investimentos na rede de infraestruturas.

"Não temos atividade relevante em Dubai, por isso, não estamos a ser afetados, mas estas notícias são tudo menos uma surpresa. Já se sabia que mais tarde ou mais cedo isto ia acontecer", disse à Lusa o administrador da Coba, Alexandre Portugal.

Ele afirmou que "a situação de Abu Dhabi é diferente, porque é rico em recursos naturais, como o petróleo e o gás, que Dubai não tem", e acrescentou que "Dubai cresceu na área dos edifícios e do turismo, enquanto em Abu Dhabi estão a ser realizados investimentos na construção de caminho-de-ferro, de portos, metropolitano, hospitais e de saneamento".

Segundo o empresário, os Emirados Árabes são vistos como "um mercado de futuro, e não de presente", e "é preciso estar presente para preparar o futuro". A atividade no país representa cerca de 5% do volume de negócios da consultora.

Indícios

O diretor-executivo da Parfois, Sérgio Marques, diz que há um ano apareceram os primeiros indícios de problemas financeiros em Dubai, e ele confessou estar "preocupado" com o contexto geral, e não tanto com a loja que a empresa tem, em regime de franquia, no Dubai Mall, o maior centro comercial do mundo.

"Não tenho receios pela nossa loja em concreto, mas com o risco de contágio. Tenho medo dos efeitos colaterais desta situação que surge numa altura em que achávamos que o pior já tinha passado", acrescentou.

O governo de Dubai pediu na quinta-feira uma moratória de seis meses aos credores da empresa pública Dubai World para honrar seus pagamentos, e afirmou que a decisão foi necessária para "enfrentar o peso da dívida".

O descumprimento no pagamento das dívidas está ligado à explosão da bolha especulativa do mercado imobiliário do emirado.

O pedido de moratória do grupo Dubai World, controlado pelo governo, colocou o sistema financeiro internacional mais uma vez próximo a uma crise de confiança que levou à quebra das bolsas mundiais.
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