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29/11/2009 - 11h19

Empresários portugueses criticam falta de apoio à inovação

Lisboa, 29 nov (Lusa) - A maioria das empresas portuguesas está insatisfeita com as medidas públicas de apoio à inovação, que se concentram em apenas duas agências com falhas nos nível de "execução e eficiência", disse à Agência Lusa Eurico Neves, presidente-executivo da INOVA +, ligada à maior rede privada europeia de serviços de inovação.

De acordo com a análise dos primeiros resultados de um estudo desenvolvido pela Comissão Europeia (Executivo da União Européia) sobre a eficiência das medidas de apoio à inovação, "as empresas portuguesas, à semelhança do que acontece no resto da Europa, estão insatisfeitas com as medidas públicas de apoio" nesta área.

Mais de 52% dos consultados, selecionados em uma amostra de empresas e instituições de toda a Europa, "declaram que os programas de apoio não corresponderam às suas expectativas", afirma Neves.

"Apesar destes resultados, apenas 38% das agências de apoio à inovação dos países europeus envolvidos neste estudo declaram ter, recentemente, introduzido ou planejam introduzir novas ou melhoradas medidas de apoio neste domínio", adianta o estudo.

"É preciso tomar medidas de 'via verde' que, de acordo com certos parâmetros, possibilitem uma avaliação muito mais rápida em que determinadas empresas de setores considerados estratégicos possam ser apoiadas e dinamizadas em poucos meses", disse o representante de Portugal no Grupo de Política Empresarial da Comissão Europeia.

O estudo traça um retrato, em nível europeu, das ajudas prestadas pelas agências de apoio à inovação e tem como base uma sondagem com 792 empresas e 428 "stakeholders".

Apoio a medidas ecológicas

Realizado entre 6 de março e 31 de maio deste ano, os países-membros da UE consideram, por unanimidade, que os programas de apoio estão muito aquém das expectativas.

Prova disso é que 81% dos consultados defendem a introdução de medidas tipo 'via verde' para a avaliação e aprovação de projetos de setores ou empresas considerados prioritários e com um apoio personalizado.

Para Neves, "há que fazer uma analogia entre estas agências e a evolução do banco nos últimos 20 anos", de forma a criar "mais gabinetes" de Norte a Sul do país.

Na medida em que "estes apoios à inovação são também um serviço, vão ter que se agilizar e modernizar como o banco se modernizou, logo, é preciso uma rede de balcões de proximidade", defendeu.

O Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas (IAPMEI) e a Agência de Inovação (AdI) são as únicas instituições em Portugal que apoiam a área, e estão "centralizadas" em Lisboa e Porto, disse.

O segredo está em "olhar para as empresas como clientes, e não como alguém que precisa de apoios", criando "uma estratégia comercial de captação [destes clientes] muito mais agressiva".

O presidente-executivo da INOVA + disse que "Portugal tem tido muitos apoios para inovação graças aos fundos estruturais da União Europeia, pelo que não é uma questão de dinheiro, mas de execução e de eficiência".

No entanto, "quando se pergunta às instituições se estão a pensar aplicar novas medidas, a maioria responde que não", pois isso implicaria uma profunda reformulação de seu modo de funcionamento.
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