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30/11/2009 - 18h11

Gestão da migração ajudará AL a sair da crise, diz OCDE

Estoril, 30 nov (Lusa) - A recuperação econômica da América Latina pode passar pela gestão da migração, defendeu nesta segunda-feira, no Estoril, o secretário-geral da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), Angel Gurría, na apresentação de um relatório sobre a região, paralelamente à Cúpula Ibero-americana.

O relatório sobre as Perspectivas Econômicas 2010 para a região, da organização, apresentado por Gurría, traz como mensagem "a gestão da migração" como "instrumento essencial para a recuperação econômica da América Latina".

O estudo indica que a América Latina tem como desafios mais importantes para os próximos anos a consolidação da abertura econômica, a fiscalização do déficit público e o fortalecimento dos apoios aos migrantes.

O relatório da OCDE recomenda que se apoie a migração legal, que se estenda a proteção social para os migrantes latino-americanos, que se estimulem as remessas de migrantes e se reduzam os custos de transferência de remessas.

O presidente da organização ressaltou que, apesar de ter aprendido com as crises anteriores, a região foi "fortemente atingida pela crise" atual.

"O PIB (Produto Interno Bruto) regional registrará uma contração de 3,6% durante 2009", disse Gurría, que acrescentou que, para alguns países, como o México, "a queda é de 7% a 8%" em relação ao que se previa de crescimento para a região antes da crise internacional.

Porém, disse, "a dimensão do impacto da crise na América Latina percebe-se melhor na esfera social".

"As Perspectivas Econômicas 2010 consideram que, se a recuperação econômica incipiente não se consolidar, a pobreza na América Latina pode crescer quase sete pontos percentuais no final de 2010", acrescentou.

Isso significaria que "cerca de 39 milhões de pessoas" voltariam a cair na pobreza, "anulando quase completamente o progresso realizado no período 2003-07".

Nesse sentido, Gurría defendeu o reforço dos programas de combate à pobreza, o que depende do avanço das reformas estruturais.

"A crise abriu uma janela de oportunidade histórica para realizar progressos", ressaltou.

Pacto social

O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luís Alberto Moreno, considerou que há, na América Latina, "grande espaço de recuperação", que depende da forma como os países encaram a crise.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) se preocupa, "sobretudo, com o impacto social da crise", afirmou José Miguel Insulza, secretário-geral do organismo, lembrando a existência de "mais nove milhões de pobres em 2009".

Insulza ressaltou que, além de consequências na qualidade de vida, a pobreza tem efeitos políticos e que a recuperação em termos sociais é mais lenta que no nível da economia.

Segundo a secretária-executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal, subordinado à ONU), Alicia Bárcena, os países da região precisam de um pacto social, um acordo fiscal e um intergeracional, porque é necessário "investimento público para aliviar os mais pobres" e o gasto público depende também dos impostos.

Desta forma, pediu que "as classes médias e altas e o setor privado se solidarizem" com este objetivo.

A secretária espanhola de Estado da Cooperação, María Soraya Rodríguez, declarou que a Espanha quer trabalhar para o desenvolvimento para que a imigração não aconteça por necessidade.

Ela lembrou que a Espanha já foi país de origem - "perdeu uma geração inteira" -, sendo, agora, sobretudo, de destino de migrantes, e defendeu uma "abordagem integrada" da questão.
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