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30/11/2009 - 16h44

OCDE prevê recessão na AL pela primeira vez em 25 anos

Estoril, 30 nov (Lusa) - A América Latina vai sofrer este ano a primeira recessão em 25 anos, de 3,6%, mas a retomada do crescimento na região deverá ser mais rápida do que nos países desenvolvidos, segundo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), em relatório apresentado nesta segunda-feira na 19ª Cúpula Ibero-americana, que acontece no Etoril, em Portugal.

"Já é visível que a América Latina está a se recuperar do choque mais rapidamente do que a maioria das economias desenvolvidas", afirmou o relatório Perspectivas Econômicas da América Latina, divulgado pelo Centro de Desenvolvimento da organização.

"Mais importante, está conseguindo isso sem comprometer o seu significativo progresso rumo às suas metas de desenvolvimento de longo prazo", prossegue.

Para 2010, a organização prevê um crescimento de 1,6% na região, percentual que contrasta com a visão de uma "decolagem" da América Latina, mas que é "encorajadora em termos de longo prazo", afirma o documento, apresentado nesta segunda-feira no Estoril, onde acontece a cúpula.

"Imediatamente após a primeira contração inequívoca do PIB (Produto Interno Bruto) em 25 anos, com queda considerável do comércio e do investimento externos e um surto de desemprego, as perspectivas econômicas da região para 2010 já são substancialmente positivas", destacou o estudo.

A maioria dos países latino-americanos deverá sofrer, este ano, uma contração que ficará entre 1% e 2%, e alguns terão mesmo um crescimento positivo (Peru, Panamá e Uruguai).

No caso do Brasil, as mais recentes previsões da OCDE apontam para uma variação nula do PIB este ano e de 4,8% em 2010.

"A duração da recessão global será apenas um fator a determinar as futuras taxas de crescimento e (...) a sua capacidade de estimular sua economia através de esforços via políticas sustentáveis", acrescentou o documento.

Entre 2004 e 2008, os países da região tiveram taxas de crescimento médio superiores a 5% ao ano.

Crise da década de 80

A forma como o bloco sul-americano enfrenta a crise econômica atual contrasta com o que ocorreu nos anos 80, quando respostas erradas em nível fiscal causaram "aumentos insustentáveis do serviço da dívida, inflação e perda generalizada da credibilidade institucional".

"A elaboração de políticas confiáveis e responsáveis na América Latina, desde os anos 1990, criou substancialmente mais espaço para efetivos estímulos fiscais e monetários", sustenta.

Outra lição da crise, disse a OCDE, é que os países que abriram seus mercados à concorrência internacional durante a última década "não demonstraram ser os mais vulneráveis à retração econômica global".

"Este é um feito extraordinário e um daqueles aspectos que contrastam acentuadamente com a experiência desses países em crises internacionais anteriores", acrescentou.

O relatório deste ano aborda ainda os investimentos e padrões recentes de migração nos países do continente e sugere políticas para "maximizar a contribuição que a migração e as remessas podem dar para melhorar o bem-estar de tantos latino-americanos".

Com mais de 20 milhões de latino-americanos vivendo fora do seu país natal - quase 5% do total da população da região -, o efeito da crise global "será dos maiores para as economias latino-americanas", afirmou o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, na apresentação do relatório.
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