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30/11/2009 - 15h14

Projeto usa Macau como plataforma de China a lusófonos

Macau, China, 30 nov (Lusa) - A Geocapital é um projeto que tem como matriz inspiradora o conceito político-estratégico de Macau como "plataforma privilegiada" importante nas relações entre a China e os países de língua portuguesa, disse à Agência Lusa Jorge Ferro Ribeiro.

Parceiro de Stanley Ho na Geocapital, a holding que, nos últimos anos, tem vindo a materializar o conceito de ligação multilateral entre o regime chinês e os países de língua portuguesa, Ferro Ribeiro afirmou que a plataforma de Macau "existe, não numa perspectiva de substituição das relações bilaterais que existem entre a China e os países de língua oficial portuguesa, mas numa perspectiva de complementaridade".

"A China tem relações bilaterais com todos esses países através dos seus canais diplomáticos próprios, através de ligações históricas que manteve inclusivamente com alguns dos movimentos de libertação que hoje estão no poder e que são governo em alguns desses países - portanto são relações históricas, muito antigas -, mas o fórum de Macau é um fórum que reforça essa cooperação e dá-lhe uma complementaridade, e não uma substituição", disse.

No conceito da complementaridade, ele afirmou que a Geocapital "aceitou esse desafio", lançado pelo chefe do Executivo de Macau, Edmund Ho, e "partiu para o terreno. Partiu em termos de investidor, partiu em termos financeiros".

"Em linhas gerais, a Geocapital posicionou-se de forma a traduzir-se no terreno naquilo que foi a aposta político-conceitual do governo de Macau em transformar Macau como uma plataforma privilegiada para o aprofundamento das relações econômicas entre a China e os países de língua oficial portuguesa", disse.

Investimento no setor bancário

Em uma primeira fase, a Geocapital decidiu investir no setor bancário em todos os países de língua portuguesa, porque é um segmento que proporciona um "posicionamento institucional nesses países" e um "conhecimento privilegiado da realidade empresarial e da realidade econômica dos países", disse.

Com presença "forte" no setor bancário em Portugal, Angola, Moçambique, Cabo-Verde e na África Ocidental, a Geocapital já pediu licença para atuar como banco de investimento no Timor Leste e quer "reforçar muito brevemente" sua presença em Macau.

Em uma segunda fase, o setor energético, onde já há "projetos a correr" na área de energias renováveis, será o componente de maior investimento da Geocapital que, mais tarde e pela experiência já adquirida em iniciativas de seus sócios em Macau, vai focar nas infraestruturas, explicou Ferro Ribeiro.

"Eu diria que a terceira consequência lógica daquilo que têm sido os investimentos da Geocapital no setor bancário e no setor da energia, o setor das infraestruturas será o próximo em que a Geocapital vai investir", afirmou.
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