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20/12/2009 - 12h26

Konica investe em tecnologia que faz superfície emitir luz

Por Nuno Vinha, da Agência Lusa

Lisboa, 20 dez (Lusa) - Mais de 100 anos depois da invenção da lâmpada elétrica, o gigante japonês da eletrônica Konica Minolta acredita que pode revolucionar a iluminação através de uma tecnologia que permite fabricar elementos de luz flexíveis, orgânicos, que emitem menos calor e gastam menos energia.

"Pense em um candeeiro que é só um cilindro de papel, lá dentro não tem lâmpada. É o próprio papel que emite a luz. Ou pode fazer uma parede de luz", explicou à Agência Lusa Ken Osuga, vice-presidente da área de negócios na Europa da empresa.

As possibilidades são imensas: uma nova arquitetura com paredes flexíveis e com iluminação incorporada, armários feitos de um material que acende para facilitar a visão do interior, cortinas que à noite parecem estar refletindo o sol.

A tecnologia tem um nome que já soa conhecido aos consumidores ? Oled (abreviatura em inglês para diodo orgânico emissor de luz) - por causa das recentes telas de televisão, ainda mais finas que as de plasmas e LCD.

Na essência, um Oled é um dispositivo composto por películas de moléculas que emitem luz ao receberem descarga elétrica. Essas moléculas podem ser diretamente aplicadas na superfície da tela através de um método de impressão, ao qual se juntam filamentos metálicos que conduzem os impulsos elétricos. Ou seja, é uma tela (composta por várias camadas) que emite luz própria.

A Konica Minolta acredita que essas características podem tornar a iluminação Oled mais barata e mais fácil de fabricar que as demais.

No mês passado, a marca anunciou um investimento de 3,5 bilhões de ienes (quase 27 milhões de euros) na construção de uma fábrica piloto de impressão 'roll-to-roll' em Hino, perto de Tóquio. O 'roll-to-roll' é como ver uma impressora de jornais antiga: grandes rolos de papel de um lado, tinta no meio e do outro lado saem jornais impressos e cortados à medida.

Semicondutor mais fino que cabelo

Aplicada à tecnologia Oled, isso significa rolos de material plástico flexível onde se imprime uma camada orgânica condutora (que transporta os elétrons do anodo) e uma segunda camada emissora, feita com moléculas diferentes da camada condutora e que transporta os elétrons para outro eletrodo, o catodo. É aqui que a luz é feita, e tudo em um semicondutor até 200 vezes mais fino que um cabelo humano.

Hideki Okamura, presidente da área de negócios da Konica Minolta Europa, afirmou à Lusa que a empresa tem uma parceria estratégica com outro gigante: os norte-americanos da General Electric, curiosamente a companhia que patenteou a primeira lâmpada de Thomas Edison.

Pelos planos, a fabricação em massa do produto começa no ano que vem. "A Konica Minolta Opto (que pesquisa este tipo de novas tecnologias) tem como clientes os gigantes da eletrônica e da energia no mundo. Mas do ponto de vista do consumidor não é conhecida", diz Okamura.

Ken Osuga explicou: "É a maior inovação nesta área desde Edison. Provavelmente estamos a trabalhar na próxima geração de iluminação".

O responsável da marca japonesa diz que este é um exemplo de uma tecnologia Konica Minolta incorporada dentro de produtos de outras marcas e que estão bem presentes no dia-a-dia.

"Por exemplo, os iPod que toda a gente usa têm lá dentro um disco rígido Konica Minolta", diz Ken Osuga. Muitos dos leitores de DVD e de discos Blu-Ray também usam pequenas lentes produzidas pela marca.
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