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13/10/2009 - 09h34

Serviços financeiros do mundo todo priorizam os ricos

WASHINGTON - Os criadores de política enfrentam demandas urgentes para a reforma dos sistemas financeiros.

"Muito países possuem políticas específicas para a ampliação do acesso financeiro aos seus cidadãos mais pobres", disse Nataliya Mylenko, autora do relatório financeiro da CGAP: Financial Access 2009 (Acesso Financeiro 2009). O CGAP é um centro independente de política e pesquisa dedicado à promoção do acesso financeiro para os pobres do mundo.

Para abordar esta ausência de dados, a CGAP realizou uma pesquisa com reguladores financeiros em 139 países para criar a primeira de uma nova série de avaliações anuais sobre o status do acesso financeiro em todo o mundo.

O Financial Access 2009 revela que os serviços bancários tradicionais buscam somente as pessoas mais ricas, privando os pobres de importantes ferramentas que podem ajudá-los a investir mais nos seus negócios, gastar mais em itens domésticos e ter fundos suficientes para enfrentar crises.

"Pela primeira vez, os criadores de políticas têm a oportunidade de examinar o acesso destas pessoas aos trabalhos financeiros de acordo com os indicadores globais", disse Elizabeth Littlefield, CEO da CGAP. "Muitos podem ficar surpresos em saber que somente 30% das pessoas de países em desenvolvimento possuem contas em instituições financeiras regulamentadas, comparado com 80% das pessoas dos países desenvolvidos. Para 70% da população dos países em desenvolvimento estão excluídas do sistema financeiro regulamentado e o acesso às transações financeiras básicas, como pagamentos ou poupança, não existe".

O Financial Access 2009 confirma que, na maioria dos países em desenvolvimento, os bancos não atendem as populações de baixa renda. Eles se concentram nos clientes mais ricos. Instituições financeiras não bancárias, como cooperativas, correios e instituições de micro financiamento, trabalham mais com os clientes pobres e de regiões rurais. Mas a informação disponível para as instituições financeiras não bancárias é limitada, e isso dificulta o acesso à avaliação da verdadeira escala das suas operações.

As normas para os requisitos de identificação deveriam ser proporcionais ao tamanho das transações e das contas. Muitas pessoas pobres não possuem identidades emitidas pelo governo, documentos de comprovação, ou até mesmo um endereço.

Transparência é uma importante parte da proteção ao consumidor. Nos países de alta renda e na América Latina, onde o crédito de varejo é mais desenvolvido, mais de 90% dos países possuem requisitos de proteção ao consumidor e de divulgações, comparado com somente a metade dos países do Sul da Ásia e da África. 109 países exigem a divulgação das taxas de juros dos empréstimos.

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