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19/10/2009 - 19h59

Capital estrangeiro vai ser taxado em 2% a partir desta terça, diz Mantega

Da Redação, em São Paulo

O ministro da Fazenda anunciou nesta segunda-feira a taxação sobre o capital estrangeiro que entrar no país para aplicações em renda fixa e Bolsa de Valores.

Segundo o ministro Guido Mantega, o capital estrangeiro será tributado, a partir desta terça-feira (20), por uma alíquota de 2% de IOF.

Mantega esclareceu que o investimento direto não será taxado.

A medida foi tomada pelo governo para tentar evitar a queda excessiva do dólar. No ano, a desvalorização da moeda americana já está em quase 27% (acompanhe a variação do dólar em gráfico interativo que permite consulta em diferentes períodos).

A moeda americana se desvaloriza porque o Brasil está tendo muita entrada de dólar. Pela lei da oferta e da procura, quando há muita moeda, ela vale menos.

O dólar baixo é bom para o consumidor comum porque os produtos importados ficam mais baratos e é melhor para viajar ao exterior.

No entanto, isso atrapalha as exportações brasileiras. Os produtos do Brasil ficam mais caros lá fora, e é difícil concorrer com outros países.

A cobrança de imposto visa reduzir a entrada de dólares no país. Isso poderia impedir que o dólar caísse tanto, na visão do governo,  mas há analistas que discordam.

Opiniões

Veja a seguir comentários sobre a taxação anunciada pelo governo:

RBC CAPITAL MARKETS: "O tamanho e o escopo da taxa são definitivamente maiores que o esperado e devem ter um impacto de mercado negativo sobre o real e na curva doméstica de juros."

JOÃO MEDEIROS, DIRETOR DE CÂMBIO, PIONEER CORRETORA: "Isso é uma tentativa de o governo tapar o buraco causado pelo crescimento da dívida da máquina pública. É uma medida paliativa. Olhando para o passado, o que podemos dizer é que esse tipo de decisão não deve funcionar se o objetivo do governo for brecar a entrada de capitais no país.

O Brasil efetivamente vem tratando bem o investidor estrangeiro, tem mantido fundamentos econômicos sólidos e cumprido seus compromissos internacionais.

Tudo isso atrai mais dólares, e essa taxação pode no máximo fazer o investidor parar um pouco para pensar se vale a pena jogar 2% fora. Mas a solidez do país deve prevalecer."

ROBERTO PADOVANI, ECONOMISTA-CHEFE, WESTLB: "A médio prazo, a medida terá efeito limitado. Os fundamentos econômicos sugerem apreciação do real, com as commodities subindo e o dólar globalmente se enfraquecendo.

Não é com medidas administrativas que você muda uma tendência. Historicamente essas medidas não funcionam. Mas isso cria um ruído de curto prazo: haverá menos confiança dos investidores na estabilidade das regras."

(Com informações da Reuters)

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