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08/08/2011 - 06h00

Abrir um negócio "da moda", como loja de cupcakes, exige cuidados

Maria Carolina Abe
Do UOL Economia, em São Paulo

Os cupcakes (pequenos bolos decorados) estão em alta no Brasil atualmente. Mas será que é um negócio que veio para ficar, ou a venda desses doces vai perder o fôlego em breve, como já aconteceu antes, por exemplo, com o açaí na tigela?

"Produtos da moda, de modo geral, têm um ciclo de vida curto e não dá tempo de recuperar o investimento", explica o consultor do Sebrae-SP, José Carmo Vieira de Oliveira.

O cupcake está seguindo o ciclo normal de uma novidade, na opinião do sócio da empresa Cupcake & Co Fábio Nogueira.

Ele afirma que a demanda ainda está aumentando no Brasil, porém os mercados em São Paulo e no Rio de Janeiro já estão saturados e o preço está caindo. Mas a rede recebe muitas consultas de interessados em abrir franquias em cidades de médio porte --como Caxias do Sul (RS), Ribeirão Preto (SP), Campo Grande (MS), Fortaleza (CE), Recife (PE)--, onde “o produto ainda é novidade”.

“Era um produto nobre e elitizado, e agora se popularizou. Em 2007, eu vendia um cupcake por R$ 14, hoje vendo por R$ 7, e tem gente vendendo por R$ 5”, conta.

Do cupcake a uma linha de 40 produtos

Para lidar com a forte concorrência no mercado, o empresário decidiu mudar o foco do seu negócio, localizado na capital paulista. Hoje trabalha com uma linha de cerca de 40 produtos, e os cupcakes restringem-se a 30% das vendas.

“Nosso negócio é a inovação. Enquanto fui líder e inovador em cupcake, tudo bem. Mas chegou a hora de mudar", conta ele.

“Nossa aposta para 2012 são os doces brasileiros repaginados, doces clássicos –como brigadeiro e cocada—em formato e apresentação completamente diferentes.”

E o que acontece com os pequenos bolinhos? “Vou manter o cupcake porque tenho tradição e ainda uma demanda razoável, mas será só mais um produto da linha.”

Três passos essenciais para se arriscar em um negócio "da moda"

Quem pensa em se aventurar em um mercado que está na moda precisa seguir três passos essenciais, segundo o consultor do Sebrae-SP, José Carmo Vieira de Oliveira: análise de mercado, análise da concorrência e muita criatividade.

A avaliação de mercado é um passo fácil, mas que demanda paciência. O empreendedor deve pesquisar produtos similares e quanto tempo durou o ciclo de vida desse produto, seja no Brasil ou no exterior, sugere o consultor do Sebrae. A pesquisa pode ser feita pela internet e também junto a sindicatos, associações ou federações comerciais, como é o caso da Câmara Americana de Comércio.

Em seguida, diz Oliveira, é preciso pesquisar quem também vende o mesmo produto e, principalmente, que grandes competidores podem copiar a tecnologia desse produto no curto prazo e entrar no mercado.

Para bater a concorrência, há duas saídas. A primeira é diferenciar o produto: ampliar a linha e inventar coisas novas para se destacar dos concorrentes. A segunda alternativa é trabalhar o perfil do consumidor: buscar atrair classes mais baixas e aumentar o número de consumidores, ou criar um produto de maior qualidade e focado em um nicho específico de mercado.

Nos dois casos, ressalta Oliveira, o empreendedor precisa ter muita criatividade.

Da loja virtual para o mundo real

Boa parte das lojas e redes de cupcake nacionais começaram com um site na internet e uma produção caseira, vendendo bolinhos sob encomenda para eventos familiares e de empresas. Com o aumento da demanda, decidiram abrir um ponto de vendas.  

Quem pensa em estrear em um shopping Center tem como opção começar em um quiosque, em vez de loja. “Em todo negócio novo, principalmente na área de alimentação (com exceção de restaurante e fast food), o primeiro investimento deve ser, preferencialmente, em um quiosque”, afirma o diretor de Relações Institucionais da Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping), Luís Augusto Ildefonso da Silva.

O preço de aluguel do quiosque nem sempre é menor que o da loja, dependendo da localização do ponto de venda, explica Silva. “Porém, a vantagem é a forma de contrato com o shopping: o dono do negócio não tem uma garantia de se fixar naquele local [o quiosque] por muito tempo.”

Setor de alimentos exige cuidado extra

É importante lembrar que o setor de alimentos possui características especiais, e o empreendedor precisa cumprir as regras da Vigilância Sanitária referentes ao preparo e embalagem dos produtos, por exemplo.

Isso sem contar as regras básicas inerentes a qualquer negócio. De todo modo, a informalidade pode não ser a melhor escolha.

“A informalidade pode ser uma saída no curto prazo, mas ela impõe uma limitação de produção e vendas”, afirma o consultor do Sebrae. “A gente recomenda que o empreendedor formalize seu negócio para não correr nenhum risco de fiscalização, seja da Vigilância Sanitária ou da Secretaria da Fazenda.”

O Sebrae oferece gratuitamente informações para donos de pequenos negócios e empreendedores individuais. Os interessados podem entrar em contato por meio do site ou pelo telefone 0800-570-0800.

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