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20/06/2012 - 06h00

Loja de biquíni vende moletom para atrair cliente no inverno

Juliana Kirihata
Do UOL, em São Paulo

Com a chegada do inverno, que tem início nesta quarta-feira (20) no país, empresas que têm maior faturamento no verão, como sorveterias, academias, lojas de roupas de praia e de aparelhos de ar-condicionado devem estar preparadas para atrair clientes também no frio e não ficar no prejuízo.

Segundo Wlamir Bello, consultor do Sebrae-SP, o empresário deve ter, em primeiro lugar, um plano financeiro bem definido, em que os períodos de alto faturamento devem compensar os de baixas vendas. “Outra dica é diversificar o leque de produtos e serviços oferecidos”, diz.

Fondues, cafés e "feijoada" atraem clientes na sorveteria

Na sorveteria Ice by Nice, em São Paulo, o cardápio muda quando chega o frio. O movimento da loja, de acordo com a empresária Bianca Cisneros, cai pela metade no inverno e, por isso, são oferecidas opções quentes, como cafés, fondue com bolas de sorvete, taças quentes e até uma “feijoada” doce (composta por palha italiana que imita a linguiça; farofa de castanha de caju; gotas de chocolate, para parecer o feijão; sorvete e caldas de caramelo e de chocolate para simbolizar o caldo do feijão).

“Essas alternativas ajudam a sustentar as vendas”, afirma ela. “Se não tivéssemos essas opções, o movimento seria até menor.”

Outro segmento afetado diretamente pela queda das temperaturas é o de roupas de praia. Na Líquido, por exemplo, marca conhecida pelos biquínis e maiôs, as vendas têm queda de cerca de 30% no inverno.

Para garantir clientes, a marca inseriu no catálogo de inverno, junto à roupa de praia, peças esportivas com tecidos mais grossos, que garantem 60% das vendas nesta época do ano. “São conjuntos em plush, em moletom, com mangas compridas, que podem ser usados para fazer ginástica, por exemplo”, diz a diretora da empresa, Ana Hasan.

Assim como a Líquido, muitas lojas aproveitam o inverno para fazer promoções das peças de verão.“Nesta época, temos que renovar o estoque”, afirma Hasan. Para o consultor, as promoções podem ajudar muito no negócio desde que se estabeleçam metas. “Precisamos saber o mínimo que o empresário precisa faturar para ele não ter prejuízo”, diz Bello.

Nas academias, muitos alunos costumam sair das piscinas e buscar atividades terrestres. Na Runner, em São Paulo, há uma queda de até 20% na frequência dos clientes. A novidade neste inverno para incentivar os alunos a não abandonarem os exercícios é uma aula que inclui pilates, danças e lutas, além de descontos para quem se matricula nesse período.

Mobilidade e previsão do tempo ajudam nas vendas

Segundo o consultor, as empresas também devem ser mais flexíveis no inverno, atendendo o cliente de outras maneiras para ele não ter de sair de casa no frio. Vendas pela internet ou telefone e entrega em domicílio são exemplos de como aumentar o faturamento.

Outro passo recomendado por Bello é conhecer o perfil do cliente e o seu comportamento e, assim, identificar qual a melhor ação de marketing e para qual público fazer a divulgação dos produtos. “Hoje, os clientes têm comportamentos diferentes. Tem gente que prefere tirar férias no período de baixa temporada, por exemplo.”

Para fugir da queda do faturamento no inverno, a empresa Só Frio, especializada em ar-condicionado, além de vender seus produtos online, faz parcerias com construtoras para manter seu comércio aquecido em todos os meses do ano. Segundo André Salomão, gerente da empresa, no inverno, o foco das vendas são os aparelhos com dupla função, que podem esfriar, mas também aquecer o ambiente.

De acordo com Bello, o empresário pode se preparar para as mudanças do clima consultando as previsões do tempo. “Já tivemos invernos mais rigorosos. O ideal é procurar uma consultoria climática”, diz. “Ou o empresário pode migrar para locais onde a diferença entre inverno e verão não é tão acentuada, como o Nordeste.”

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