Veja os principais destaques sobre a situação nos Estados Unidos e na Europa e entenda as consequências para o Brasil

Para enfrentar a crise econômica, a Espanha vai cortar 30% de seus vereadores, reduzir verbas de partidos, sindicatos e ministérios, fechar empresas públicas, diminuir o seguro-desemprego em mais da metade, suspender o abono de Natal de funcionários públicos e aumentar impostos em até 21%, inclusive o do cigarro. Alimentos básicos não terão tributos maiores.
As medidas foram anunciadas nesta quarta-feira pelo primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, e seguem exigências da União Europeia para o socorro ao sistema financeiro do país.
Com a redução de cerca de 30% no número de vereadores em todo o país e o fechamento de empresas públicas no âmbito local, a estimativa do governo é economizar 3,5 bilhões de euros (R$ 8,7 bilhões).
O novo plano também prevê um outro corte dos gastos ministeriais, já reduzidos nos orçamentos de 2012 para 600 milhões de euros (R$ 1,5 bilhão). A nova medida inclui corte de 20% nas subvenções aos partidos políticos, sindicatos de trabalhadores e patronais em 2013.
O aumento do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) vai permitir economia de mais 65 bilhões de euros (R$ 165 bilhões) além do que estava previsto antes.
Além disso, dadas as circunstâncias da economia, excepcionalmente graves, em 2012 será suspenso o abono de Natal, que equivalia ao 14º salário, disse Rajoy.
As medidas também afetam os desempregados -em um país com uma taxa de desemprego de 24,44%. O auxílio-desemprego será reduzido a partir do sexto mês de 50% a 60% da base reguladora.
Para um país que entrou em recessão no primeiro trimestre e com projeção de crescimento de 1,7% para 2012, estas medidas tentam cumprir as exigências europeias para permitir que a Espanha suavize sua meta de déficit a 6,3% este ano, um ponto a mais que o previsto, após os 8,9% de 2011.
Para 2013, a Espanha terá que reduzir seu déficit a 4,5% e a 2,8% em 2014.
"Fizemos a única coisa que pudemos fazer para sair dessa situação: aplicamos medidas excepcionais para um momento excepcional", afirmou Rajoy em uma sessão extraordinária do Congresso dos Deputados.
"Sei que os passos que estamos dando e os que vamos a dar doem em cada pessoa, em cada indivíduo, mas depois do sacrifício virá a recompensa", declarou Rajoy após anunciar a nova bateria de medidas de ajuste.
O IVA subirá de 18% a 21%, após o governo ter se negado durante um longo período a tomar esta decisão, pedida pela Comissão Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).
O IVA reduzido para alguns produtos subirá de 8% a 10%, mas será mantida a taxa super-reduzida de 4% para produtos de primeira necessidade, incluindo alimentos básicos.
A alta dos impostos indiretos também afetará o cigarro, disse Rajoy, que enfatizou a necessidade de redução do deficit público.
Ao mesmo tempo, os ministros de Finanças da zona do euro conferiram nesta segunda-feira à Espanha mais um ano para alcançar sua meta de deficit, mas em troca, o país deverá cumprir "estritas obrigações" em meio a seu processo de deficit excessivo, às quais se somarão um orçamento para 2012 já austero, que prevê uma economia de 27,3 bilhões de euros (R$ 68 bilhões).
A Comissão Europeia, por sua vez, elogiou nesta quarta-feira estas novas medidas, afirmando que "elas serão um passo importante para garantir que a Espanha atinja seus objetivos fiscais este ano", conforme informou Simon O'Connor, porta-voz do comissário europeu para Assuntos Monetários, Olli Rehn.
"Em seu conjunto, o (novo) pacote de consolidação fiscal, incluindo renda e redução de gastos, representará uma cifra de 65 bilhões de euros (R$ 162 bilhõeas) nos próximos dois anos e meio", disse Rajoy.
Paralelamente, os ministros de Finanças da zona do euro chegaram nesta segunda-feira a um acordo sobre o plano de ajuda aos bancos espanhóis para uma primeira entrega de 30 bilhões de euros antes do final do mês.
Ao todo, o plano prevê um máximo de 100 bilhões de euros (R$ 250 bilhões) para recapitalizar o sistema financeiro espanhol, debilitado desde o estouro da bolha imobiliária de 2008.
(* Com informações da AFP)
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