UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

18/09/2012 - 06h00

Cai número de super-ricos brasileiros, mas país ainda lidera na América Latina

Do UOL, em São Paulo

O número de brasileiros com mais de US$ 30 milhões passou de 4.725 em 2011 para 4.640 neste ano, mas o país continua na liderança na América Latina, à frente de México e Argentina. A fortuna total acumulada pelos "super-ricos" brasileiros também diminuiu, passando de US$ 925 bilhões em 2011 para US$ 865 bilhões em 2012. 

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (17) no relatório "World Ultra Wealth Report", da consultoria Wealth-X, que usou dados para o ano até 31 de julho. A pesquisa considera apenas os milionários com mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 61 milhões). O relatório completo está disponível em inglês no site da consultoria.  

A flutuação no preço das commodities, a crise econômica e a "guerra cambial" foram apontados pela consultoria como os principais motivos para a redução do número de "super-ricos" no Brasil.

O Brasil perdeu um bilionário, ainda de acordo com o levantamento. O país tinha 50 pessoas com mais de US$ 1 bilhão em 2011, e passou a ter 49 neste ano.

América Latina perde em fortuna acumulada

A crise internacional também afetou a fortuna dos milionários e bilionários da América Latina.

O número de pessoas com mais de US$ 30 milhões cresceu de 14.245 para 14.750 pessoas. Por outro lado, a fortuna acumulada teve queda de 3,3%, totalizando US$ 2,185 trilhões.

A dependência das maiores potências do mundo (Estados Unidos e China) foi citada pela pesquisa como um "problema" em momento de crise global, como a que ocorre atualmente.

Ásia sofre a pior perda regional

A Ásia sofreu a pior perda regional de riqueza, com um declínio de 6,8%, totalizando US$ 6,25 trilhões, em razão dos mercados de capitais mais debilitados e uma demanda menor por exportações do Ocidente, segundo a pesquisa.

Embora a riqueza também tenha encolhido na Europa, na América Latina e no Oriente Médio, os ricos viram suas fortunas crescerem na América do Norte (em 2,8%, chegando a US$ 8,88 trilhões) e na Oceania (alta de 4,4%, chegando a US$ 475 bilhões) --boa parte disso na Austrália.

Bilionários ganham e milionários perdem

Muitos milionários ficaram mais pobres no ano passado, mas os bilionários se saíram bem, usando suas equipes de administração de fundos para escapar da instabilidade econômica que atingiu os menos ricos,

O número de pessoas com ao menos US$ 30 milhões subiu para 187.380, mas o total da fortuna deles caiu 1,8%, chegando a US$ 25,8 trilhões --ainda uma soma maior do que as economias norte-americana e chinesa--, divulgou a Wealth-X.

Ricos com até US$ 499 milhões são os que mais "sofrem"

Os mais atingidos globalmente foram os que possuem entre US$ 200 milhões e US$ 499 milhões, cujos números caíram 9,9% e cujas fortunas encolheram 11,4%, informou o relatório.

Os muito, muito ricos, entretanto, ficaram ainda mais ricos. O número de bilionários subiu 9,4%, chegando a 2.160 pessoas; a riqueza deles cresceu 14%, para US$ 6,2 trilhões.

"Mesmo com US$ 1 bilhão ou US$ 2 bilhões, eles têm um ambiente muito maior, eles têm muito mais assessoria sobre a forma de investimento. Certamente, eles ganham a atenção de todos os bancos importantes", disse Mykolas Rambus, CEO da Wealth-X.

"Essa foi a questão sobre esse terço médio, a área arriscada entre US$ 100 milhões e US$ 500 milhões. Não acho que pareça que esses caras empregam talento o suficiente para ajudar em seus portfolios e suas holdings a serem bem-sucedidas."

Especulação diminui

Enquanto a Europa enfrenta dificuldades e a economia norte-americana se recupera de forma irregular, os ricos estão deixando de especular para investir em empresas particulares, em commodities e propriedades, disse a Wealth-X.

(Com informações da Reuters)

Veja mais

Hospedagem: UOL Host