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21/09/2006 - 18h55

Mercados latino-americanos patinam por aumento de risco político

Por Lisa Yulkowski

SANTIAGO, 21 de setembro (Reuters) - Os mercados latino-americanos deslizaram nesta quinta-feira com a aproximação de eleições no Brasil e no Equador acentuando a agitação gerada esta semana por tumultos na Hungria e golpe militar na Tailândia.

O mercado acionário no Brasil caiu para patamares de dois meses atrás, com o Ibovespa <.BVSP> escorregando 1,04 por cento, depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva substituir seu chefe de campanha, acusado de envolvimento em um esquema contra a oposição nas eleições de 1o de outubro.

Na Argentina, o principal indicador da bolsa de Buenos Aires, o Merval <.MERV> finalizou em baixa de 0,74 por cento, apesar do crescimento econômico de 9,1 por cento em julho, comparado com o mesmo período do ano passado.

"O mercado está em baixa por causa das preocupações políticas internacionais, da Tailândia e da proximidade das eleições no Brasil", disse Marcelo Paccione, analista da ConsultCapital, em Buenos Aires.

O índice mexicano IPC <.MXX>, das ações líderes, perdeu 1,6 por cento, com o candidato presidencial derrotado em julho ainda protestando contra o resultado da votação.

No Chile, o referencial do mercado acionário, o IGPA <.IGPA>, cedeu 0,37 por cento, após cinco sessões consecutivas de ganhos. Operadores chilenos atribuíram a reversão ao desânimo no mercado brasileiro.

No mercado da dívida de emergentes, o índice EMBI+ do JP Morgan <.JPMEMBIPLUS> declinou 0,48 por cento, pressionado por Brasil e Equador, disseram analistas.

Os papéis do Equador cederam após o presidente Alfredo Palacio dizer a investidores em Nova York que é "absolutamente necessária" uma reestruturação da dívida externa do país.

"É uma retórica bastante preocupante que pode ter efeitos em 2007 e 2008", comentou Alberto Ramos, economista sênior do Goldman Sachs.

Rafael Correa, candidato que lidera as pesquisas de opinião do eleitorado para as eleições equatorianas em 15 de outubro, também disse recentemente que considera uma renegociação no estilo argentino da dívida externa do país.

Em 1999, o Equador decretou a moratória de 6,5 bilhões de dólares em débitos. Atualmente, detém cerca de 11 bilhões de dólares em bônus denominados em dólar, com aproximadamente 1 bilhão de dólares com vencimento em um ano.

O mercado de moedas da América Latina também enfraqueceu, com o peso mexicano <MEX01> caindo 1,0 por cento, afetado pelos temores de desaceleração da economia dos Estados Unidos e persistentes turbulências políticas internas.

No Brasil, o dólar avançou 1,38 por cento, para 2,208 reais, retomando patamares de julho.

"Todos os mercados emergentes estão negativos", disse Alexandre Vasarhelyi, chefe da mesa de câmbio do ING, em São Paulo.

(Reportagem adicional de Walter Bianchi, Maria Jose Latorre, Nathália Ferreira, Andrei Khalip, Hilary Burke e Manuela Badawy)

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