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02/10/2006 - 17h41

ATUALIZA-Mercado recebe bem 2o turno sem abandonar cautela

(Texto atualizado com mais comentários e cotações de fechamento)

Por Daniela Machado

SÃO PAULO, 2 de outubro (Reuters) - Os mercados financeiros reagiram bem ao resultado da eleição, que adiou para o segundo turno a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB) pela Presidência.

Nesta segunda-feira, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo <.BVSP> subiu 1,67 por cento, a 37.057 pontos, e o dólar caiu 0,60 por cento, para 2,158 reais.

O risco Brasil, praticamente estável, era cotado a 230 pontos-básicos sobre os Treasuries no fim da tarde e os juros futuros cederam no embalo de mais um corte nas previsões de inflação deste ano.

"O mercado está dando um peso relativamente maior do que dava à possibilidade de Alckmin se eleger. Se Lula ganhar, não muda muito o que a gente já imaginava. O problema é que no curto prazo os dois vão brigar e isso vai gerar ruído político para o mercado e mais volatilidade", disse à Reuters o estrategista-chefe do BNP Paribas no Brasil, Alexandre Lintz.

Ele acrescentou que "a cara do novo Congresso", com forças de centro-direita, pode indicar mais disposição para reformas estruturais.

"Mas o movimento (do mercado) deve ser limitado. A melhora mesmo fica para o começo de novembro."

ATENTO A REFORMAS

Para o ABN Amro Asset Management, a chance de vitória da oposição favorece o mercado. Em relatório, a instituição citou que os investidores tinham precificado um segundo mandato de Lula com uma agenda apenas modesta.

"Uma vitória marginal de Lula no segundo turno com uma base estreita no Congresso seria o cenário mais negativo", afirmou o estrategista do ABN Amro, Maarten-Jan Bakkum, acrescentando que nesse caso seria pequena a chance de importantes reformas serem feitas.

Ainda na noite de domingo, enquanto os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicavam o segundo turno, economistas já apostavam em uma recepção "levemente positiva" dos investidores que vinham questionando a governabilidade de Lula em um segundo mandato.

Até a explosão do chamado "dossiê Serra", o mercado mostrava-se indiferente ao período eleitoral. Mas o episódio levantou dúvidas sobre a capacidade de o PT conseguir o apoio necessário para aprovar reformas para acelerar o crescimento do país.

O economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto, previu uma reação levemente positiva, mas sem criar euforia. "Tem também os fatores externos que estão pesando sobre o mercado. O quadro ainda é um pouco incerto sobre como serão as alianças (políticas)", acrescentou.

(Com reportagem adicional de Nathália Ferreira e Marcelo Mota, em São Paulo, e Walter Brandimarte, em Nova York)

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