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02/10/2006 - 12h29

Mercado recebe bem 2o turno mas não escapa de volatilidade

Por Daniela Machado

SÃO PAULO (Reuters) - Os mercados financeiros reagiam bem ao resultado da eleição, que adiou para o segundo turno a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB) pela Presidência.

Nesta segunda-feira, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo subia mais de 1,8 por cento, a 37.134 pontos, e o dólar caía 0,28 por cento, para 2,165 reais, às 12h20.

O risco Brasil, estável, era cotado a 233 pontos-básicos sobre os Treasuries e os juros futuros cediam no embalo de mais um corte nas previsões de inflação deste ano.

"O mercado está dando um peso relativamente maior do que dava à possibilidade de Alckmin se eleger. Se Lula ganhar, não muda muito o que a gente já imaginava. O problema é que no curto prazo os dois vão brigar e isso vai gerar ruído político para o mercado e mais volatilidade", disse à Reuters o estrategista-chefe do BNP Paribas no Brasil, Alexandre Lintz.

Ele acrescentou que "a cara do novo Congresso", com forças de centro-direita, pode indicar mais disposição para reformas estruturais.

"Mas o movimento (do mercado) deve ser limitado. A melhora mesmo fica para o começo de novembro."

Ainda na noite de domingo, enquanto os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicavam o segundo turno, economistas já apostavam em uma recepção "levemente positiva" dos investidores que vinham questionando a governabilidade de Lula em um segundo mandato.

Até a explosão do chamado "dossiê Serra", o mercado mostrava-se indiferente ao período eleitoral. Mas o episódio levantou dúvidas sobre a capacidade de o PT conseguir o apoio necessário para aprovar reformas para acelerar o crescimento do país.

O economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto, previu uma reação levemente positiva, mas sem criar euforia.

"Tem também os fatores externos que estão pesando sobre o mercado. O quadro ainda é um pouco incerto sobre como serão as alianças (políticas)", acrescentou.

(Com reportagem adicional de Nathália Ferreira e Marcelo Mota)

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