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06/10/2006 - 11h49

ANÁLISE-Principais países emergentes expõem divergências

Por Jeremy Gaunt

LONDRES, 6 de outubro (Reuters) - Brasil, Rússia, Índia e China têm sido por um bom tempo os "queridinhos" dos investidores em mercados emergentes. Agora, entretanto, diferenças aparecem entre os países do "Bric".

Após superarem o desempenho das ações de mercados emergentes em geral desde janeiro, os quatro juntos reverteram essa tendência no mês passado.

Ao mesmo tempo, os investidores mostraram um desejo mais forte que o usual de diferenciá-los, separando aqueles mais expostos à queda dos preços das commodities e mais vulneráveis à desaceleração da economia global.

As mudanças dão mais evidências de que os mercados financeiros estão posicionados para uma virada, tentando se ajustar a uma queda cíclica de magnitude desconhecida após alguns dos mais robustos crescimentos em décadas.

Os Brics são particularmente significativos porque têm sido condutores desse crescimento e alguns dos seus maiores beneficiados.

O índice de ações do Bric MSCI <.dMSIBCOOOOP> está em alta de mais de 22 por cento neste ano, apesar de uma correção entre maio e junho, enquanto o equivalente geral do mercado de emergentes <.MSCIEF> acumula apenas a metade desse ganho.

Em setembro, no entanto, o indicador geral subiu 0,65 por cento e os Brics caíram 0,35 por cento.

Outros indicadores MSCI sugerem, contudo, que foi o que ocorreu em alguns países do Bric que provocou o desempenho fraco.

China e Índia continuam em alta, enquanto Brasil e Rússia caíram.

Dados de fluxo da Emerging Portfolio Fund Research (EPFR) confirmam a tendência. Na semana encerrada em 27 de setembro, os fundos de ações de China e Índia tiveram entrada líquida de 377 milhões de dólares. Os fundos dos Brics como um todo registraram a terceira semana seguida de resgates.

"Os investidores podem estar concluindo que não gostam da exposição a Brasil e Rússia que esses fundos têm", afirmou a EPFR.

DIVISÃO

Enquanto há alguns fatores específicos que podem influenciar essa divergência --eleições no Brasil, uma necessidade de brecar um rali da bolsa russa--, são as diferenças entre os países do Bric que contam.

Em primeiro lugar está o papel das commodities, cujos preços vêm caindo após um rali de cinco anos. O petróleo, em particular, está em baixa de cerca de 25 por cento desde meados de julho.

"Os dois mercados que estão vendo fluxo de entrada são (aqueles com) demanda por commodities. Os dois que estão vendo fluxo de saída são os fornecedores de commodities", afirmou Julian Mayo, diretor de investimentos da Charlemagne Capital.

De forma similar, os investidores parecem estar decidindo que fornecedores de commodities como Rússia e Brasil não irão enfrentar uma desaceleração dos Estados Unidos tão bem como os outros.

"A razão pela qual China e Índia estão indo bem é porque esses países ainda podem ir muito bem se os EUA entrarem em recessão, que é o que os mercados temem", avaliou Maarten-Jan Bakkum, estrategista de ações de mercados emergentes no ABN AMRO Asset Management.

Até agora, no entanto, o impacto tem sido visto principalmente nas ações. Os bônus russos e brasileiros, entre os mais líquidos, estão indo bem. China e Índia não são participantes significativos desse mercado.

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