UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

28/02/2007 - 11h29

ANÁLISE-China continuará a crescer apesar de venda de ações

Por Alan Wheatley

PEQUIM, 28 de fevereiro (Reuters) - Da mesma forma que fator algum na perspectiva econômica chinesa justifica a queda nas ações da bolsa de Xangai na terça-feira, que causou abalo nos mercados mundiais, é pouco provável que esse movimento em si faça muita diferença para a quarta maior economia do mundo.

Os economistas apontaram para muitas razões e racionalizações, na tentativa de explicar a queda de quase nove por cento, mas a saúde da economia chinesa não era uma delas. Nesta quarta-feira, a bolsa de Xangai fechou em alta de quase 4 por cento.

É certo que o banco central chinês provavelmente continuará a elevar os requerimentos de reserva dos bancos, para remover do mercado o excesso de liquidez causado por um superávit exagerado nas contas externas, que Pequim identifica como sua maior dor de cabeça.

Mas o crescimento descontrolado no investimento, crédito e base monetária, que suscitou temores de superaquecimento na metade do ano passado, agora se desacelerou; as vendas do varejo têm sido robustas, o setor chinês de exportação vem funcionando com perfeição e os lucros das empresas do país registram alta continuada.

"A macroeconomia ainda está exatamente onde o governo a deseja", disse Paul Cavey, economista especializado em mercados chineses na Macquarie Securities, de Hong Kong. "Assim, nada explica de fato o motivo do colapso de ontem."

Os economistas do Lehman Brothers, como muitos outros, consideram a queda como um evento de mercado, e não um evento econômico, e anunciaram que sua previsão de crescimento de 9,6 por cento para o Produto Interno Bruto (PIB) chinês em 2007 não seria alterada.

"Acreditamos que a queda deva exercer impacto limitado sobre a economia chinesa", disseram Mingchun Sun e Rob Subbaraman a clientes.

Alguns investidores estrangeiros concluíram, com base no colapso de Xangai, que a economia chinesa, que vem se expandindo em mais de 10 por cento ao ano já há quatro anos, pode estar a caminho de um período problemático.

Empresas que enriqueceram alimentando o boom do país, como as mineradoras, arcaram com as maiores perdas na onda mundial de vendas subseqüente.

Mas Stephen Green, do Standard Chartered Bank em Xangai, disse que a queda não havia sido causada por notícias econômicas ou por problemas de lucratividade nas empresas. Por isso, ele disse que o efeito da crise sobre o crescimento mundial seria de "aproximadamente zero".

Jun Ma, do Deustche Bank, é mais cético sobre a inflação, alertando que a alta do preços em fevereiro e março bai motivar um aumento nos juros. Assim, o mercado de ações chinês correria o risco de perder mais 15 ou 20 por cento.

Mas ele observou que isso deve ser encarado como uma correção saudável depois de recorde de alta e que não teria impacto significativo nos fundamentos otimistas da economia.

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host