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28/02/2007 - 13h19

Seguir tendência das ações chinesas é risco para os investidores

Por Tony Munroe

HONG KONG (Reuters) - A onda mundial de vendas de ações deflagrada em parte pela séria queda da bolsa de Xangai na terça-feira demonstra que a China cada vez mais conduz os sentimentos do mercado mundial, mas os investidores deveriam exercer cautela ao seguir a tendência de um mercado que continua no geral fechado a estrangeiros e isolado dos fatores mundiais.

"Que a China lidere e os Estados Unidos acompanhem é algo inacreditável. Nunca tinha visto coisa parecida --nunca", disse Khiem Do, diretor de ativos múltiplos asiáticos no Barings Asset Management. "Mas na verdade o mercado norte-americano já tinha começado a se preocupar com os problemas de seu setor de crédito 'subprime'."

As ações caíram mais de 3 por cento em Wall Street na terça-feira, depois que o índice da bolsa de Xangai registrou sua mais profunda queda em uma década, seguindo uma alta de preços que ultrapassou os 130 por cento em 2006 e levou a avaliações exageradas para as ações de empresas da China continental.

A onda de vendas se espalhou pelo resto da Ásia na quarta-feira, mas a bolsa de Xangai contrariou a tendência e fechou em alta de quatro por cento.

"O dia de ontem sugeriu para alguns que o mercado de ações chinês e o mundial estão agora fundamentalmente ligados; mas a movimentação de hoje parece contradizer essa teoria," afirmou Stephen Green, economista sênior do Standard Chartered Bank em Xangai, em nota de pesquisa divulgada na quarta-feira.

A queda nas ações da China continental, conhecidas como ações A, foi um dentre os fatores que os investidores mundiais à procura de uma desculpa para vender aproveitaram na terça-feira.

Também influenciaram a tendência a alta nos preços do petróleo, os números fracos sobre o consumo nos Estados Unidos, preocupações quanto ao mercado norte-americano de empréstimos para pessoas com histórico de crédito ruim e declarações do ex-chairman do Fed Alan Greenspan, no sentido de que uma recessão é possível nos EUA também influenciaram a tendência.

"A queda do mercado da China resultou basicamente da avaliação excessiva que as ações tinham e da natureza do investimento lá", disse Alex Bogis, administrador de fundos na Aberdeen Asset Management, em Hong Kong.

"Se a China está liderando tendências, isso é causa de preocupação", afirmou.

"As pessoas ainda não compreenderam que os movimentos das ações A são diferentes, digamos, de um movimento baseado em fundamentos, porque as ações A têm tido um histórico onde tendem a ser muito menos correlacionadas com outros mercados", disse Binay Chandgothia, chefe de investimentos na Principal Asset Managment, em Honh Kong.

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