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01/03/2007 - 18h45

Mercados respiram no fim, mas dúvidas podem trazer novos ajustes

Por Nathália Ferreira

SÃO PAULO (Reuters) - No fim, prevaleceu a calmaria, ainda que com certa apreensão. A quinta-feira tinha começado com nova turbulência nos mercados financeiros, depois de mais uma queda na bolsa de Xangai, mas os ativos encerraram o dia com menos perdas.

O "vilão" da agitação desta sessão foi um desmonte de operações de carry trade (em que o investidor se financia em moeda de baixo rendimento para apostar em ativo de alto rendimento) depois de o iene ter subido frente ao dólar.

A bolsa de Xangai, que havia, na véspera, se recuperado de tombo de quase 9 por cento da terça-feira, fechou esta quinta em queda de quase 3 por cento.

O receio de que investidores pudessem estar reavaliando suas posições de maior risco provocou uma deterioração nos mercados pela manhã: as ações européias perdiam mais de um por cento, as bolsas de valores norte-americanas abriram com queda expressiva, o dólar chegou a subir 0,99 por cento e a Bolsa de Valores de São Paulo exibiu queda de 4,2 por cento na mínima do dia.

Somaram-se a isso dados dos Estados Unidos que mostraram aumento além do esperado nos pedidos de auxílio-desemprego e no núcleo do índice de preços PCE, embutido nos gastos com consumo.

"Fundamento para cair não tem, é tudo por uma questão de perspectiva. O mercado financeiro tenta andar na frente de todo mundo e está tentando antecipar um movimento", explicou Marco Antonio Gazel, sócio da Questus Patrimônio.

ALÍVIO

Mas ainda no fim da manhã os investidores começaram a respirar um pouco mais aliviados, depois dos dados do Instituto de Gestão de Fornecimento dos EUA (ISM, na sigla em inglês) que apontaram melhora no setor manufatureiro norte-americano.

"Isso acabou sendo o contraponto para todo o nervosismo gerado com a queda de Xangai", disse Hélio Ozaki, gerente de câmbio do Banco Rendimento. "O índice acabou relaxando bem os agentes."

Ao longo da sessão, os ativos passaram a diminuir as perdas. No final, a Bovespa fechou em baixa de 0,86 por cento, o dólar terminou em leve queda de 0,09 por cento e o risco-país ficou praticamente estável, em 195 pontos-básicos sobre os Treasuries.

As bolsas de valores norte-americanas terminaram com ligeira queda, ajudadas também pelo bom resultado de vendas da General Motors .

Os mercados acionários no México e Chile, que tinham recuado pela manhã, fecharam em ligeira alta.

Mas o alívio no fim do dia não significa que as fortes correções observadas na terça e nesta manhã ficarão no passado, ponderaram analistas.

O holofote dos investidores recai agora sobre a reunião do Congresso da China, que começa na próxima semana, e a série de indicadores dos EUA que ajudarão a formar uma opinião sobre como está a maior economia mundial.

"Continua a dúvida em relação ao crescimento americano e a dúvida em relação à sustentabilidade do crescimento chinês. Esses são os dois pontos, e só os números que vão surgir nas próximas semanas é que vão poder esclarecer o que está acontecendo", afirmou Gazel.

(Com reportagem adicional de Juliana Siqueira e Silvio Cascione)

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