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06/03/2007 - 17h03

A difícil arte de definir o tamanho do carry trade

Por Jamie McGeever

LONDRES, 6 de março (Reuters) - Definir o tamanho das operações de carry trade em iene continua sendo uma tarefa traiçoeira, apesar de tantos comentários e debates gerados pelo que foi considerado um dos principais fatores por trás da turbulência da semana passada nos mercados globais.

O principal diplomata financeiro do Japão estimou na semana passada que os investidores devem ter tomado entre 10 e 20 trilhões de ienes em empréstimos --algo como 85 e 170 bilhões de dólares-- para aplicar em ativos de alto rendimento.

Algumas estimativas do mercado sugerem um número de 200 bilhões de dólares. Mas pelo fato de realmente não ser possível saber ao certo o tamanho das apostas dos investidores contra o iene, a estimativa de Hiroshi Watanabe também pode estar certa.

Enquanto Watanabe e outros membros do governo japonês têm constantemente minimizado a potencial ameaça da desmontagem dos carry trade, outros governos do G7 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo), principalmente europeus, expressaram maior preocupação.

Eles ressaltaram a inquietação quanto a dois fenômenos em desenvolvimento nos mercados financeiros globais: o mascaramento dos riscos do mercado graças aos crescentes fundos de hedge, atividade com pouca transparência, e o inchaço dos carry trade. Os dois processos podem estar conectados.

Há poucos especialistas no mercado de câmbio que são corajosos o bastante para dizer o tamanho dos carry trade.

"É o Santo Graal", disse Neil Mellor, estrategista de câmbio do Bank of New York, maior banco de custódia do mundo, com 16,6 trilhões de dólares em ativos sob custódia após a conclusão de sua fusão com o Mellon Bank.

"Temos nossos próprios dados sobre o fluxo sob custódia, mas eles não revelam nada sobre os ativos de curto prazo envolvidos nos carry trade. Em termos de um tamanho geral, é quase impossível."

Mas os analistas não vão parar de tentar. Isso ocorre em grande parte por causa da possibilidade de uma massiva volatilidade dos mercados e dos deslocamentos após uma desmontagem repentina nas posições.

Na semana passada, o iene subiu, as ações despencaram e ondas de choque se espalharam pelos mercados financeiros globais depois que os investidores, sem nenhuma razão óbvia, se assustaram e saíram de posições muito alavancadas.

A calma parece ter voltado nesta semana, mas permanece o medo de uma reversão dos carry trade ao estilo de outubro de 1998. Naquela ocasião, o dólar caiu mais de 20 ienes uma semana depois do colapso do fundo de hedge Long Term Capital Management a partir do default da dívida russa, anunciado dois meses antes.

Stephen Jen, diretor de estratégia em câmbio no Morgan Stanley, em Londres e que concorda com a estimativa de Watanabe, também aponta para a exposição líquida dos fundos mútuos japoneses a ativos estrangeiros.

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