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12/03/2007 - 20h10

Fundos de pensão reforçam apostas em private equity

Por Cesar Bianconi

SÃO PAULO (Reuters) - Grandes fundos de pensão estão mais atentos a oportunidades de investimentos em private equity, na busca por diversificação do portfólio de ativos e mais rentabilidade em meio ao cenário de taxa de juros em queda.

As projeções do mercado apontam que em 2010 o juro real --descontada a inflação-- vai encostar na meta atuarial dos fundos de pensão, de 6 por cento ao ano, segundo o diretor financeiro da Funcef, fundo dos funcionários da Caixa Econômica Federal, Demosthenes Marques.

"Temos uma necessidade de buscar investimentos alternativos para garantir rentabilidade", disse Marques na segunda-feira durante debate em congresso sobre private equity promovido pela associação que representa o setor no Brasil, a ABVCAP.

A Funcef tem cerca de 800 milhões de reais em private equity e venture capital, ou 2,5 por cento do patrimônio do fundo, disse o diretor.

Os fundos de private equity são veículos de investimento que colocam dinheiro em empresas de capital fechado com grandes chances de crescimento. Após a companhia ganhar valor, o fundo vende sua fatia com lucro.

No caso da Previ, maior fundo de pensão do país e que representa os empregados do Banco do Brasil, há um plano para elevar o percentual do patrimônio da carteira alocado em private equity para 2,3 por cento do total em 2012, ante 1,8 por cento este ano. A Previ administra cerca de 100 bilhões de reais.

Como recentes aportes em private equity, o diretor de investimentos da Previ, José Reinaldo Magalhães, mencionou 60 milhões de reais destinados ao fundo Logística Brasil FIF, gerido pela GP Investimentos, e 90 milhões de reais alocados no InfraBrasil, administrado pelo ABN Amro Real.

Para o diretor de investimentos e finanças da Valia, fundo dos trabalhadores da Companhia Vale do Rio Doce, Manoel Cordeiro Silva, ainda há carência, no Brasil, de compreensão sobre o mercado de private equity.

Como exemplo bem-sucedido dessa modalidade de investimento ele mencionou a aposta na Diagnósticos da América (Dasa), que abriu o capital na Bolsa de Valores de São Paulo. Segundo ele, a Valia colocou 20 milhões de reais na Dasa, retirou cerca de 25 milhões de reais e ainda tem o equivalente a 32 milhões de reais da empresa.

O diretor financeiro e de investimentos da Petros, fundo dos funcionários da Petrobras, Ricardo Malavazi, lembra que, mais do que um investimento de risco, o private equity é um negócio de longo prazo, com retorno médio em cinco anos.

A Petros tem cerca de 1,3 bilhão de reais alocado em fundos de private equity ou venture capital, o equivalente a pouco mais de cinco por cento do patrimônio total.

"Estamos analisando a entrada em mais um fundo de private equity", disse ele à Reuters após participar do debate.

Segundo Malavazi, a bolsa de valores não é a única alternativa para a saída de um investidor, nesses casos. "Também temos visto muitas empresas serem vendidas para outras", comentou.

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