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16/03/2007 - 18h22

Vale ajuda Previ a ter quarto ano de superávit recorde

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O mercado acionário e principalmente o expressivo investimento que possui na Companhia Vale do Rio Doce garantiram o quarto ano consecutivo de superávit recorde para Previ, maior fundo de pensão do país.

O patrimônio da Previ ultrapassou a marca histórica de 100 bilhões de reais no ano passado, ou cerca de 30 por cento da soma do patrimônio de todos os fundos de pensão brasileiros.

Em um ano em que as contribuições do patrocinador do fundo, o Banco do Brasil, e dos seus participantes foram reduzidas em 40 por cento, em função do superávit de 2005, a Previ registrou superávit recorde de 15,9 bilhões de reais.

Nos últimos quatro anos, o superávit acumulado foi de 34,8 bilhões de reais para seus participantes, gerando uma rentabilidade de 34,9 por cento no ano, acima de aplicações como Ibovespa (32,9 por cento) e CDI (15 por cento).

"A Vale foi acima da média. Tem sido uma excelente empresa para o investidor e fez uma aquisição importante no ano passado", afirmou a jornalistas o presidente da Previ, Sérgio Rosa, referindo-se à mineradora canadense Inco.

Além da valorização em bolsa, a Vale foi objeto de uma reavaliação econômica na carteira da Previ, em novembro, que elevou a participação na mineradora em 5 bilhões de reais, passando para 19,6 bilhões de reais.

Esse é o maior investimento da entidade em renda variável, segmento que garantiu ganhos de 47,1 por cento à Previ no ano passado.

Boa rentabilidade no entanto não garantiu o pagamento de dividendo melhor para a Previ.

Pela primeira vez, o Banco do Brasil foi o líder no pagamento do retorno ao acionista para a Previ, devido ao lucro recorde em 2006. O banco federal pagou dividendos de 415,8 milhões de reais, enquanto a gigante Vale reduziu o benefício dos 472 milhões de reais em 2005 para 398,6 milhões de reais no ano passado.

"A Vale tem um investimento muito agressivo e teve a compra da Inco...não é de fato uma empresa que se notabilize pelos dividendos, e sim pela valorização em bolsa", reconheceu Rosa.

DESINVESTIR

Prevendo desinvestimentos no mesmo patamar de 2006, da ordem de 3 bilhões de reais, Rosa não quis comentar sobre a provável venda de ações da Usiminas junto da operação já anunciada pela Vale. Afirmou também que não tem conhecimento de proposta firme da operadora egípcia de telefonia Orascom pela participação da Previ na Brasil Telecom .

"Tudo que se refere à Brasil Telecom está sendo feito pelo (gestor de recursos) Angra Partner e não foi encaminhada nenhuma proposta", disse o executivo

Ele evitou comentar também sobre uma possível proposta da Vale para a compra da mineradora indiana Sesa Gora. Segundo fontes da entidade, no entanto, o interesse da Vale no negócio seria "quase nenhum".

A Previ tem até 2012 para adequar sua carteira de renda variável aos 50 por cento previstos por lei. Em 2006, esses investimentos ocuparam 64,1 por cento da carteira, enquanto a renda fixa detinha 30,6 por cento, 2,7 por cento em imóveis e 2,6 por cento em operações com participantes.

Nesse sentido, a entidade procura compradores ou sócios para a cimenteira Tupy e o porto do Paraná Ponta do Félix, ao mesmo tempo que estuda uma emissão de ações da Paranapanema.

Engessada pela necessidade de adequação, a Previ não cobiça novos empreendimentos: "Talvez alguma coisa no setor de shoppings, mas nada agressivo", disse Rosa.

A fundação pretende participar de projetos do Programa de Aceleração Econômica (PAC) por meio de suas controladas no setor de geração de energia. Já a febre de aplicações em etanol não contará com recursos da entidade. "Não estamos nem analisando porque não poderemos entrar", afirmou Rosa.

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