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20/03/2007 - 13h21

ANÁLISE-Após turbulência, para onde foi todo o dinheiro?

Por Jeremy Gaunt

LONDRES, 20 de março (Reuters) - Enquanto os investidores se agitavam com a turbulência dos mercados nas últimas semanas, os ativos considerados mais seguros não tiveram muito para mostrar.

A conclusão pode ser a de que não houve uma tendência de venda indiscriminada, e o que pareceu um forte surto de aversão ao risco pode ter sido apenas um breve momento de dúvidas.

Considere os ativos tradicionalmente seguros como ouro, títulos soberanos com rating elevado, dólar e franco suíço.

No período de turbulência dos mercados acionários, que começou no fim de fevereiro, o ouro <XAU=> caiu 5 por cento e o dólar <=USD> teve leve baixa frente às principais moedas. Considerando que essas sejam aplicações seguras, não houve um "flight to quality".

Os bônus soberanos dos Estados Unidos e da zona do euro com rating "AAA" avançaram, mas não tanto para sugerir qualquer abalo sísmico nos mercados.

O rendimento dos bônus de 10 anos da zona do euro <EUR10YT=RR> está em queda de apenas 7 pontos-básicos no período, e o dos Treasuries <US10YT=RR> caiu apenas 5 pontos.

Houve movimentações maiores dos ativos, mas as variações em geral não parecem refletir um período em que as ações globais <.MSCIWD> caíram 6,4 por cento.

"Um monte de coisas que você espera em uma correção propriamente dita simplesmente não ocorreu", disse Andy Brunnes, estrategista-chefe de investimentos para fundos da Forsyth Partners.

SEM CORRERIA

Então, para onde foi o dinheiro?

Houve ganhos em alguns ativos. O iene <JPY=>, por exemplo, se valorizou frente ao dólar, que estava 2 por cento mais fraco na segunda-feira em comparação ao fechamento de 26 de fevereiro. Commodities como o níquel e o cobre também avançaram.

O dinheiro, no entanto, parece ter se distribuído dentro da mesma classe de ativos, e não migrado para classes diferentes.

O Emerging Portfolio Fund Research divulgou que, entre os fundos de capital globais houve ingresso de 1,2 bilhão de dólares na semana passada, enquanto fundos na Ásia --exceto Japão--, China e América Latina registram saída de capital.

Operadores de câmbio de mercados emergentes também rearranjaram o risco dentro de sua classe de ativos, diminuindo a posição em lira turca para aumentar a posição em reais, por exemplo.

Uma parte do dinheiro, ao mesmo tempo, pode ter apenas saído da mesa para pagar empréstimos.

"Boa parte do dinheiro não foi a lugar algum", disse um especialista em hedge funds que preferiu não ser identificado. "Houve apenas um desmonte de alavancagem."

Não há dúvida de que os investidores foram atingidos por uma onda de aversão ao risco nas últimas semanas, particularmente em comparação com o alto apetite visto anteriormente.

Mas a ausência de uma forte revoada para ativos seguros sugere que a retração não foi tão profunda como temiam muitos.

O banco de investimentos UBS tentou quantificar isso, afirmando que o Radar Global de Risco, que monitora as variações de diversos indicadores de risco, caiu na semana passada mas continuou em território neutro.

Outra medida é a diferença entre o rendimento da dívida das empresas e dos bônus soberanos. Também nessa comparação os dados sugerem que o apetite pode ter recuado apenas temporariamente.

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