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27/03/2007 - 15h10

Anbid vê diminuição de ofertas de ações do setor imobiliário

SÃO PAULO, 27 de março (Reuters) - O espaço para lançamento de ações do setor imobiliário começa a diminuir após um período de forte expansão, o que não deve impedir outro ano de crescimento das ofertas públicas em geral em 2007, previu nesta terça-feira o vice-presidente da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), Luiz Fernando Resende.

Na semana passada, a construtora e incorporadora Even diminuiu a quantidade de papéis que oferecerá na Bovespa para 34.782.609, ante oferta anterior de 51.342.382 ações.

"Você deu uma primeira brecada, as pessoas vão dar uma pensada, mas ainda não acabou o espaço (para o setor). Mas tem uma luz amarela", afirmou Resende.

Atualmente, existem 12 empresas do setor imobiliário no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), sendo que seis ingressaram em 2006. Entre ações, debêntures e notas promissórias, essas companhias levantaram entre 2001 e 2006 cerca de 9,3 bilhões de reais, de acordo com dados fornecidos pela bolsa paulista.

Apesar da visão cautelosa sobre a área imobiliária, o vice-presidente da Anbid descarta que a recente turbulência nos mercados financeiros globais --geradas por preocupações com o crescimento da China e dos Estados Unidos-- possa afetar novas emissões de ações este ano no Brasil e previu para 2007 um ano "favorável" no mercado de capitais.

A Anbid estima que sejam registradas no primeiro trimestre 17,242 bilhões de reais em ofertas no mercado doméstico de capitais (incluindo ações, debêntures e notas promissórias), contra 15,212 bilhões de reais em igual período de 2006. Até a terceira semana de março, foram registrados 11,9 bilhões de reais.

"A volatilidade dos mercados não compromete a tendência de lançamento de ações. Os fatores macroeconômicos (do país) não mudaram, então tem mais coisa para vir neste ano e nos próximos."

"Os acontecimentos pontuais que causam volatilidade nos mercados não podem gerar um 'stop and go' das empresas", acrescentou.

Segundo ele, apenas uma desaceleração abrupta da economia norte-americana traria problemas para o mercado de capitais brasileiro, mas ele acredita que essa possibilidade é remota.

2006 MELHOR QUE O ESPERADO

A Anbid divulgou nesta terça-feira o balanço do mercado de capitais brasileiro em 2006, mostrando alta de 73,8 por cento nas ofertas de ações, debêntures e outros títulos sobre o ano anterior.

"O bom resultado das ofertas públicas em 2006 superou as expectativas", segundo a associação. As empresas captaram 119,89 bilhões de reais via mercado de capitais.

As ofertas de renda variável saltaram 121 por cento em volume em 2006, totalizando 31,3 bilhões de reais. Os setores de construção civil e energia elétrica foram os destaques.

As emissões de renda fixa subiram 61 por cento no ano passado, para 88,59 bilhões de reais, com destaque para as debêntures. Os setores financeiro e de energia elétrica lideraram essas operações.

Já as emissões no mercado externo em 2006 declinaram 15,8 por cento sobre o ano anterior, para 19,57 bilhões de dólares.

"As emissões no mercado internacional vêm caindo porque você tem aumento de prazo e menor custo no mercado interno", observou Resende.

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