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13/04/2007 - 17h51

Analistas vêem mais recordes de bolsas na América Latina

Por Juan Jose Lagorio

NOVA YORK (Reuters) - As bolsas de valores da América Latina, que tiveram desempenho acima da média do mercado este ano, continuarão obtendo altas recordes em 2007, impulsionadas por acões relativamente baratas, sólido crescimento econômico, melhor controle doméstico das finanças e altos preços de commodities, de acordo com analistas.

A região tem mostrado melhor performance ante mercados desenvolvidos e emergentes, segundo o índice MSCI de todos os países do mundo.

"A força na América Latina é sustentável... O mercado de ações ainda é atraente. O Brasil ainda é um dos mercados mais baratos no mundo", disse Don Elefson, que administra 1,1 bilhão de dólares em ativos de mercados emergentes no Excelsior Funds. Ele se referia ao valor das ações com base no lucro projetado das empresas, uma das formas de avaliação do preço justo dos papéis.

"O México está a caminho. O presidente (Felipe Calderón)finalmente assumiu o controle... está pressionando por algumas reformas. Isso colocou o México em um melhor (caminho) financeiro" disse Elefson.

O índice MSCI mostra que os mercados de ações da América Latina registravam valorização de quase 10 por cento este ano, mais do que o dobro do índice mundial e que o desempenho das bolsas emergentes na Ásia.

A região teve um grande revés em fevereiro, quando uma forte queda nas bolsas chinesas e problemas no mercado imobiliário de alto risco nos Estados Unidos aumentaram preocupações sobre previsões do crescimento econômico global.

Desde então, os mercados latino-americanos têm se recuperado e obtiveram altas recordes em países como Brasil, México e Peru.

O principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, o Ibovespa, acumula alta de 7,8 por cento em 2007, enquanto o IPC do México avançou mais de 10 por cento, o índice chileno IPSA subiu em torno de 13 por cento e a alta do peruano IGRA chegou perto de 50 por cento.

Embora a América Latina possa sentir certa pressão com uma eventual desaceleração da economia norte-americana, a região ainda possui meios para impulsionar seus mercados, disseram analistas.

Na quarta-feira, o Fundo Monetário Internacional elevou sua previsão de crescimento econômico para a América Latina para 4,9 por cento em 2007, ante estimativa anterior de 4,2 por cento, principalmente devido à performance do Brasil.

A taxa de crescimento em 2006 foi de 5,5 por cento, segundo o FMI.

Além disso, preços para metais como cobre e ouro aumentaram em anos recentes, apoiados pelo forte consumo chinês e pela perspectiva de que a demanda crescerá ainda mais.

E a América Latina está passando por um "boom" nas ofertas primárias e secundárias de ações. Segundo relatório da corretora Merrill Lynch da semana passada, 2007 pode tornar-se um ano recorde para o mercado acionário da região.

"Desaceleração (na abundância) do mercado de ações na América Latina não é uma preocupação. A nosso ver, o apetite permanece forte", afirmou a corretora em relatório.

O estrategista de mercado de acionário da agência de classificação de risco Standard & Poor's, Alec Young, recomendou na quinta-feira que os investidores mantenham sua exposição em mercados emergentes por causa dos sólidos fundamentos nessas economias no longo prazo.

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