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08/06/2007 - 16h28

ESPECIAL-Engenheiros financeiros são nova moda em Wall Street

Por Dan Wilchins

NOVA YORK, 8 de junho (Reuters) - Wall Street está olhando para além das escolas de administração para buscar seus profissionais.

Matemáticos estão dominando o mundo das negociações algorítmicas e lotando os recém-criados programas de engenharia financeira nas universidades norte-americanas para satisfazer a demanda de bancos e "hedge funds" por especialistas quantitativos.

O trabalho mais inovador do setor ainda está sendo feito por físicos e matemáticos com PhD, mas os programas de engenharia financeira estão colocando em Wall Street um número crescente de operadores e analistas que pode mastigar números e criar complicadas estratégias de mercado.

Programas de engenharia financeira não existiam em meados da década dos anos 1990, mas agora formam cerca de 500 estudantes por ano nos Estados Unidos, e um especialista vê os números desses programas crescendo de 30 a 50 por cento nos próximos cinco anos.

Mesmo com essa expansão, os EUA ainda estão gerando muito mais profissionais com MBAs que engenheiros financeiros --cerca de 140 mil diplomas de pós-gradução em administração foram concedidos em 2004, segundo o departamento de Educação.

Há muitos empregos em Wall Street para quem fez MBAs. Mas engenheiros financeiros formados em escolas renomadas --como as universidades de Nova York, Columbia, Chicago e Stanford-- podem ganhar mais de 100 mil dólares no primeiro ano de trabalho, mesma média dos que fizeram MBAs nessas universidades.

As negociações algorítmicas, ou baseadas em fórmulas complexas executadas por programas de computadores, são responsáveis por cerca de um terço do volume de negociação com ações nos EUA, percentual que está crescendo de forma rápida. A Bolsa de Valores de Londres estima que cerca de 40 por cento de seus negócios sejam algorítmicos.

É INTELIGENTE?

Há uma década, muitos dos empregos das mesas de operação teriam ido para profissionais com doutorado em física e computação, mas os tempos mudaram, disse Steve Allen, vice-diretor do programa de matemática em finanças do Instituto Courant da Universidade de Nova York.

"As pessoas começaram a se perguntar 'É inteligente que as pessoas levem 7 anos para ter um PhD em física e depois pensem em carreira financeira?'"

Um estudante de um programa de um ou dois anos de engenharia financeira tem aulas em áreas como otimização e gerenciamento de risco na grade curricular.

Eles podem achar emprego nas mesas de bancos, ajudando em áreas como precificação de ações e geração de novas estratégicas de negociação, ou ainda refinando sistemas automatizados de negociação.

Mas quando o assunto é criar sistemas completamente novos que darão aos operadores vantagem sobre rivais, empresas ainda olham para PhDs, disse Allen.

Jim Simons, por exemplo, fundador do hedge fund de 30 bilhões de dólares Renaissance Technologies Corp., que estima-se ter ganho 1,7 bilhão de dólares no ano passado, disse que busca, acima de tudo, cientistas.

"Contratamos físicos, matemáticos, astronautas, astrônomos e cientistas em computação, e eles em geral não sabem nada sobre finanças", afirmou Simon em conferência anual da Associação Internacional de Engenheiros Financeiros, em maio.

Geralmente são necessárias uma série de habilidades para se criar um sistema totalmente novo, então faz sentido recrutar de forma ampla, disse Marian Munz, presidente-executiva da Media Sentiment, empresa sediada em São Francisco que desenvolve sistemas algorítmicos que prevêem movimentos de ações com base no sentimento de mercado.

Ela entrevista estudantes de doutorado e especialistas da indústria de áreas que incluem ciência cognitiva, inteligência artificial, desenvolvimento de Internet e até inglês, onde as habilidades de PhDs podem ser usadas para criar programas que analisam relatórios e comunicados escritos.

"Você junta um time que tem todas as qualidades que você precisa. É o trabalho em equipe que faz o trabalho", conta Munz.

(Reportagem adicional de Dane Hamilton e Jennifer Ablan em Nova York)

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