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08/06/2007 - 08h29

PANORAMA1-Mercados se ajustam a tombo externo e Copom

Por Juliana Siqueira

SÃO PAULO, 8 de junho (Reuters) - A quinta-feira de feriado no Brasil não foi nada calma nos mercados internacionais. A contínua preocupação com inflação e juro no mundo levou o rendimento do Treasury de 10 anos a superar a marca psicológica dos 5 por cento, provocando forte queda nas bolsas e valorização do dólar frente às principais moedas do globo.

Em Nova York, o Dow Jones <.DJI> caiu 1,48 por cento, enquanto o índice de principais ADRs brasileiros <.BR20> recuou mais de 3 por cento e o preço do bônus brasileiro com vencimento em 2040, papel de maior liquidez entre os emergentes, caiu para o menor patamar em quatro meses.

O dia contou ainda com a declaração de Bill Gross, gestor do maior fundo de bônus do mundo, de que após anos de aposta na alta destes papéis, agora vê uma baixa. Ele também elevou a estimativa para o teto do rendimento dos Treasuries de 10 anos de 5,5 por cento para 6,5 por cento nos próximos três a cinco anos. [ID:nN07215731].

Como se isso não bastasse, o mercado no Brasil vai ter ainda que se ajustar à decisão do Comitê de Política Monetária, que decidiu acelerar o ritmo do corte do juro e reduziu a Selic em 0,5 ponto percentual, para 12 por cento ao ano na noite de quarta-feira. A redução teve cinco votos a favor e dois contra --esses dois defendiam um corte de 0,25 ponto.

Até a terça-feira, a maioria do mercado apostava em corte de 0,5 ponto, mas dados de inflação e a deterioração do cenário internacional deixaram o mercado cauteloso, levando alguns players a reconsiderarem uma redução de 0,25 ponto.

O comunicado do Copom sofreu discreta alteração, acrescentando "neste momento" na justifica para a redução.

Para a Modal Asset Management, a falta de consenso deixa em aberto a decisão de julho e evita um "excesso de euforia" do mercado nas curvas longas de juro. A instituição, entretanto, espera novo corte de 0,5 ponto na próxima reunião e vê a Selic a 10,75 por cento no fim do ano.

Já o UBS Pactual afirmou que prefere ver a ata da reunião na próxima semana.

A agenda econômica do dia é fraca, com balança comercial de algumas das maiores economias do mundo, entre elas a dos Estados Unidos.

O preço dos metais também sofreu forte ajuste na véspera, o que deve ajudar a pressionar papéis como a blue chip Vale do Rio Doce <VALE5.SA>. O níquel caiu quase 6 por cento e o cobre 1 por cento.

O petróleo, entretanto, subiu, superando 71 dólares por barril em Londres, o que pode moderar eventual queda do carro-chefe da bolsa, a Petrobras <PETR4.SA>.

Para ler a agenda do dia, clique [nN08395924]

Veja como encerraram os principais mercados na quinta-feira:

ADRs BRASILEIROS <.BR20>

O índice de principais ADRs brasileiros declinou 3,10 por cento, para 26.687 pontos. Os destaques ficaram com Telemar <TNE.N>, que caiu 4,45 por cento, e Companhia Vale do Rio Doce <RIO.N>, que perdeu 4,37 por cento.

GLOBAL 40 <BRAGLB40=RR>

O título de referência dos mercados emergentes, o Global 40, caía para 130,688 por cento do valor de face, em queda de quase 2 pontos, oferecendo rendimento de mais de 6 por cento.

RISCO-PAÍS <11EMJ>

No final da tarde, o risco Brasil estava estável, a 146 pontos-básicos, assim como o EMBI+, em 156 pontos-básicos.

BOLSAS DOS EUA

O índice Dow Jones <.DJI> recuou 1,48 por cento, para 13.266 pontos. O Nasdaq <.IXIC> caiu 1,77 por cento, para 2.541 pontos. O Standard & Poor's 500 <.SPX> teve desvalorização de 1,76 por cento, para 1.490 pontos.

TREASURIES DE 10 ANOS <US10YT=RR>

O preço dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos, referência do mercado, avançava e o rendimento subia para 5,14 por cento.

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