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26/07/2007 - 11h49

MERCADOS-Temor com crédito nos EUA abate ativos brasileiros

Por Juliana Siqueira e Silvio Cascione

SÃO PAULO, 26 de julho (Reuters) - O mercado financeiro tinha mais um dia turbulento nesta quinta-feira, com aumento da aversão ao risco por conta da intensificação das preocupações com crédito nos Estados Unidos.

A bolsa paulista <.BVSP> caía 3,18 por cento, aos 54.222 pontos, depois de recuar quase 4 por cento na mínima do dia, enquanto o dólar <BRBY> avançava 1,07 por cento, vendido a 1,887 real.

Enquanto isso, os juros de prazos mais longos tinham forte alta na BM&F. As projeções para o final de 2008 e final de 2009 (registradas pelo DI janeiro de 2009 e janeiro de 2010) superaram 11 por cento ao ano --maior nível em três meses.

Diante das condições no mercado, o Tesouro Nacional cancelou o leilão de LTN e NTN-F previsto para esta quinta-feira.

"Basicamente é a história do 'subprime' (crédito imobiliário de alto risco dos EUA), que pode afetar outros créditos e outros países. Isso provoca vôo para qualidade e é bem visto pela taxa dos Treasuries", disse Álvaro Bandeira, diretor da Ágora Senior CTVM.

A crise no mercado de hipotecas de risco dos EUA emergiu depois que as exigências para concessão de empréstimo foram reduzidas e os bancos securitizaram essas quantias.

A retração no setor de imóveis norte-americano tem motivado aumento da inadimplência em hipotecas e também uma onda de rebaixamentos nas avaliações de crédito.

"(Precisamos ver) se esse contágio tem capacidade de alterar os fundamentos, que ainda são positivos, da economia global. O momento é de olhar", completou Bandeira.

O risco-país disparava 15 pontos-básicos, para 199 pontos, maior nível desde março. Mais cedo, o risco Brasil bateu os 200 pontos. Em Nova York, o índice de principais ADRs brasileiros <.BR20> caia 3,99 por cento.

Os ativos no mundo inteiro tinham desempenho negativo. Nos Estados Unidos o Dow Jones <.DJI> cedia 0,91 por cento e na Europa o índice FTSEurofirst <.FTEU3>, que reúne as principais ações européias, recuava 1,75 por cento.

Entre as notícias que deflagraram o movimento de vendas no mercado acionário está a suspensão dos resgates de um hedge fundo australiano [ID:nN26436501], a alta abaixo do esperado das encomendas norte-americanas de bens duráveis [ID:nN25439878] e a queda das vendas de moradias novas nos EUA [ID:nN26431966].

"O motivo é aversão a risco. Tem (a justificativa de) um fundo na Austrália, (mas) é piada. (O fundo) é de 200 milhões de dólares, faz cócegas no mercado norte-americano", opinou Jorge Knauer, gerente de câmbio do Banco Prosper.

Internamente, a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada esta manhã, reiterou vigilância com a demanda interna, reforçando a aposta de redução do vigor dos cortes do juro, para 0,25 ponto percentual, a partir da próxima reunião do colegiado do Banco Central.

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