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09/08/2007 - 16h54

ATUALIZA-Brasil está bem, mas cena externa ainda é nebulosa

(Texto atualizado com comentários e risco-país)

Por Juliana Siqueira

SÃO PAULO, 9 de agosto (Reuters) - Os mercados brasileiros receberam novo golpe nesta quinta-feira, contaminados pelo mau humor externo depois que o BNP Paribas suspendeu resgates em alguns fundos.

Embora executivos com larga experiência no país sejam unânimes em dizer que a economia local está hoje melhor preparada, ninguém garante que a turbulência derivada do setor de crédito de risco norte-americano será passageira.

"A restrição de liquidez que aumenta a aversão ao risco geraria no passado um resultado devastador no risco-país, o que não acontece tanto hoje", afirmou o ex-presidente do Banco Central e sócio-fundador da Rio Bravo Investimentos Gustavo Franco.

O risco-país subia 10 pontos esta tarde, para 185 pontos-básicos, bem distante dos mais de 2.200 pontos que atingiu em 2002, pouco antes da eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Gustavo Franco ponderou, no entanto, que é difícil medir o tamanho da crise do setor de hipotecas de alto risco (subprime). "Se a situação se restringir aos fundos, não vai ter problema. A preocupação é se chegar dos fundos para os bancos."

O ex-diretor do BC Luiz Fernando Figueiredo, sócio da Mauá Investimentos, avaliou que, com a economia local mais segura e o risco menor, os ativos brasileiros são "muito mais atrativos".

Para Rodolfo Riechert, co-diretor de Investment Banking do UBS Pactual, os mercados tendem a ficar voláteis por mais algum tempo. "(A extensão da crise ) é não avaliável por enquanto", disse ele, acrescentando que o Brasil não deve ser atingido de forma relevante.

Riechert também avaliou como positivas as ações de bancos centrais nesta quinta-feira para prover liquidez ao mercado.

"Tem que olhar se nos balanços dos bancos tem problema ou não. Acho que esse é o temor do mercado", explicou ele.

"Isso vai dizer a disponibilidade deles de continuarem emprestando e continuarem movimentando o dinheiro das operações mais alavancadas."

Às 16h51, o principal índice da Bovespa <.BVSP> perdia 2,56por cento, a 53.825 pontos. O dólar fechou em alta de 2,17 por cento, a 1,927 real.

(Com reportagem adicional de Elzio Barreto)

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