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17/08/2007 - 15h25

Gestores de fortuna recomendam: escondam-se e comprem depois

Por Douwe Miedema

ZURIQUE (Reuters) - Vários administradores de fortuna têm dito aos seus clientes que vendam ações e mantenham o dinheiro no bolso até que os mercados se assentem e preços baixos tragam novas oportunidades de compra. A rota do mercado incomoda alguns investidores, disseram banqueiros nesta sexta-feira, apesar de a crise parecer por ora restrita aos mercados financeiros. O impacto sobre a economia de uma forma mais ampla, segundo eles, segue improvável.

"Sempre existem alguns clientes que ficam nervosos, mas eles são a exceção. Se você quer fazer dinheiro com ações no longo prazo, você tem de aceitar alguma volatilidade", disse Magne Orgland, sócia do banco suíço Wegelin & Co.

O Wegelin reduziu a exposição às ações nos portfólios administrados por duas vezes em um período de duas semanas, cortando a alocação em um portfólio para 40 por cento ante os 50 por cento em 27 de julho. Na semana passada houve nova diminuição, para 30 por cento. Os clientes ricos --frequentemente definidos como quem tem 1 milhão de dólares ou mais em ativos com liquidez-- são uma grande força sobre os mercados financeiros. Eles são donos de cerca de 37 trilhões de dólares em ativos em todo o mundo, um número que está crescendo rapidamente.

Os mercados de ações subiram nesta sexta-feira na Europa e avançavam nos Estados Unidos após o Federal Reserve, inesperadamente, reduzir a taxa de juro de empréstimos a bancos comerciais, dizendo que as condições financeiras em deterioração impõem um risco ao crescimento econômico.

No entanto, a maior parte dos ganhos no mercado acionário deste ano já evaporou em meio ao pânico dos investidores com a crise no financiamento imobiliário de alto risco nos EUA, que poderia afetar a liquidez global e o vigor da economia.

"A mensagem para os nossos clientes é: 'Vamos ficar calmos até que a neblina saia e tenhamos alguma visibilidade sobre o impacto dessa crise"', afirmou Laurence Stoppelman, consultor de investimento do Citi Private Bank .

Os mercados de ações continuarão sob pressão por mais três meses, segundo o Credit Suisse, que também teve de reduzir a exposição e transformar ações em dinheiro para esperar até que a tempestade acabe e os clientes possam conseguir ativos baratos.

"Queremos ficar de lado para agir no momento certo. Estamos vendo muito valor, mas no momento os mercados de ações apenas não estão agindo com racionalidade", afirmou Adrian Zuercher, estrategista do Credit Suisse .

Os bancos foram particularmente atingidos pela venda generalizada de ações, observou Zuercher, e o setor bancário europeu está agora sendo negociado no menor nível em vários anos. Ativos defensivos como ouro, assim como instrumentos derivativos, foram outra forma de diversificar e proteger o dinheiro contra as turbulências nos mercados.

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