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17/08/2007 - 08h30

PANORAMA1-Agenda fraca encerra semana de muita turbulência

Por Juliana Siqueira

SÃO PAULO, 17 de agosto (Reuters) - A sexta-feira conta com poucos dados econômicos e a única garantia é de mais volatilidade, depois de um dos piores dias do ano para o mercado financeiro. As notícias sobre crédito continuam no foco de investidores, que tentam avaliar agora se a crise respingou na economia.

O mercado fechou acima das míninas na quinta-feira, indicando fôlego para uma melhora, mas ninguém esboça uma aposta. As bolsas de valores da Ásia encerraram em queda e tiveram a pior semana em quase uma década, enquanto na Europa as ações operavam com leve baixa e os futuros de Wall Street indicavam uma abertura fraca.

O fato é que a aversão ao risco disparou nos últimos dias e o desempenho de Wall Street deve ser um bom termômetro nesta sessão para os ativos brasileiros.

Analistas gráficos consideram que uma queda de 10 por cento em relação à máxima de um índice ou de uma ação é um sinal de retrocesso que pode ser acompanhado por nova recuperação ou por um recuo ainda mais forte. O S&P 500 <.SPX> registrou essa oscilação na quinta-feira [nN16376578].

Dentro dessa volatilidade toda, investidores se questionam até quando o Federal Reserve vai manter o juro nos atuais 5,25 por cento ao ano. Até agora, o banco central norte-americano não tem dado sinais de que pretende reduzir a taxa.

"À medida que autoridades do Fed sustentam que querem manter sua política, investidores começam a pensar sobre o risco de recessão", disse Derrick Wulf, gestor de portfólio daDwight Asset Management, em Vermont.

Mas apesar das recentes perdas do mercado --o Ibovespa chegou a perder quase 20 por cento na última semana-- a maioria dos investidores professionais e economistas insiste que a turbulência do setor de crédito imobiliário de risco (subprime) tem permanecido em grande parte um evento de mercado, que não está afetando a economia global.

"O mercado está reagindo ao stress financeiro relacionado do subprime", disse Jamie Jackson, gestor de portfólio da RiverSource Investments, em Minneapolis. "O júri ainda está avaliando (a questão) do crescimento econômico", disse ele.

O dado mais esperado de sexta-feira será o relatório de confiança do consumidor nos Estados Unidos.

Analistas esperam deterioração da confiança como resultado da fraqueza do mercado imobiliário e das turbulências do mercado acionário. A previsão média é de leitura de 88, frente aos 90,4 do final de julho.

O mercado acionário também pode refletir o resultado da Hewlett-Packard <HPQ.N>, que divulgou na noite de quinta-feira alta no lucro, beneficiada por corte de custos, preços menores de componentes de computadores e aumento das margens. As ações da companhia subiram 3 por cento no pregão eletrônico.

Para ler a agenda do dia, clique [nN16366887]

Veja como encerraram os principais mercados nesta quinta-feira:

CÂMBIO <BRBY>

O dólar terminou a 2,094 real, em alta de 3,10 por cento. O volume no segmento interbancário foi de 4,13 bilhões de dólares.

BOLSA <.BVSP>

O Ibovespa caiu 2,58 por cento, a 48.015 pontos. O volume financeiro na bolsa foi de 8,4 bilhões de reais.

ADRs BRASILEIROS <.BR20>

O índice de principais ADRs brasileiros fechou em baixa de 4,18 por cento, aos 24.116 pontos.

JUROS <0#2DIJ:>

A maioria dos contratos de depósito interfinanceiro (DI) avançou na Bolsa de Mercadorias & Futuros. O DI janeiro de 2009 encerrou a 12,18 por cento, após atingir a máxima de 12,55 por cento.

GLOBAL 40 <BRAGLB40=RR>

O título de referência dos mercados emergentes, o Global 40, caía para 129,125 por cento do valor de face no final da tarde, oferecendo rendimento de 6,3 por cento ao ano.

RISCO-PAÍS <11EMJ>

No final da tarde, o risco Brasil saltava 22 pontos, para 222 pontos-básicos. O EMBI+ estava em 239 pontos-básicos.

BOLSAS DOS EUA

O índice Dow Jones <.DJI> caiu 0,12 por cento, para 12.845 pontos. O Nasdaq <.IXIC> recuou 0,32 por cento, a 2.451 pontos. O índice S&P 500 <.SPX> fechou em alta de 0,32 por cento, a 1.411 pontos.

TREASURIES DE 10 ANOS <US10YT=RR>

O preço dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos, referência do mercado, subia e o rendimento recuava a 4,70 por cento no final da tarde ante 4,73 por cento na quarta-feira.

(Reportagem adicional de Silvio Cascione)

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