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24/08/2007 - 08h27

PANORAMA1-Atenções estarão voltadas a dados de moradia nos EUA

Por Juliana Siqueira

SÃO PAULO, 24 de agosto (Reuters) - A redução da aversão ao risco vista nos últimos dias pode receber um revés na sexta-feira, se os dados de vendas de novas moradias nos Estados Unidos mostrarem fraqueza acima da esperada.

"Os números serão acompanhados de perto, mas temos que ter em mente que a faixa diminuiu. Esperamos que venha pior que os números anteriores", disse Beth Malloy, analista de bônus da Briefing.com, em Chicago.

Na véspera, o presidente-executivo da Countrywide Financial Corp <CFC.N>, maior concessora de hipotecas dos Estados Unidos, alertou que o declínio do setor pode levar a economia norte-americana à recessão, gerando mal-estar entre investidores.

As vendas de novas moradias devem ter caído a um taxa anualizada e ajustada de 820 mil em julho, frente aos 834 mil do mês anterior, segundo pesquisa da Reuters. O relatório sai às 11h.

O otimismo frente a uma redução do juro diminuiu um pouco e analistas dizem que mesmo que as vendas de moradias surpreendam do lado negativo, não há chance de redução da taxa antes da reunião de setembro. Alguns acham até que a autoridade monetária não reduzirá o juro básico no encontro do mês que vem.

"Se o Fed fosse cortar o juro antes da reunião ele teria feito isso na semana passada. Achamos que eles vão manter o juro", disse Kim Rupert, diretor-gerente de renda fixa da Action Economics, em San Francisco.

O juro futuro <FFV7> apontava nesta quinta-feira um corte de 0,25 ponto na reunião de 18 de setembro.

Outro relatório que será monitorado nesta sexta-feira é o de bens duráveis nos Estados Unidos, mas este deve ficar em segundo plano.

"Esqueça os bens duráveis, não ligamos muito a menos que seja algo muito diferente do esperado", disse Malloy.

As encomendas de bens duráveis devem ter avançado 1 por cento em julho, depois da alta de 1,3 por cento de junho, de acordo com levantamento da Reuters. Os dados serão divulgados às 9h30.

O risco-país caiu 10 pontos na véspera, para 200 pontos-básicos, mas ainda acima dos cerca de 160 pontos de antes de a crise começar.

A notícia de que a agência de classificação de risco Moody's finalmente seguiu as rivais e elevou o rating do país, deixando-o a uma nota do grau de investimento, teve pouco impacto, já que era amplamente esperada, mas foi considerada positiva.

"Pelo timing da decisão acabou sendo uma notícia muito boa para o Brasil, porque permite se especular que eles acham que essa crise passa longe do Brasil", disse Gustavo Franco, ex- presidente do BC e sócio da Rio Bravo Investimentos.

Outra boa notícia veio do diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, Rodrigo de Rato, que disse que o Brasil será pouco afetado pela recente volatilidade dos mercados decorrente do aperto de crédito global [nN23289395].

O ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros também não vê impacto "dramático" na economia brasileira, mas admite que o crescimento pode ser menor [ID:nB216876].

Resta saber ser esses comentários vão sustentar o otimismo do mercado doméstico.

Para ler a agenda do dia, clique [nN24317412]

Veja como encerraram os principais mercados na quinta-feira:

CÂMBIO <BRBY>

O dólar terminou a 1,988 real, em queda de 1,24 por cento. O volume no segmento interbancário foi de 4,116 bilhões de dólares.

BOLSA <.BVSP>

O Ibovespa subiu 0,2 por cento, aos 51.848 pontos. O volume financeiro na bolsa foi de quase 4,7 bilhões de reais.

ADRs BRASILEIROS <.BR20>

O índice de principais ADRs brasileiros fechou com valorização de 0,52 por cento, aos 27.067 pontos.

JUROS <0#2DIJ:>

Na BM&F, os DIs sofreram ajustes mais discretos e a maioria dos contratos caiu. Entre os mais negociados, o DI janeiro de 2009 foi exceção e subiu a 11,77 por cento, enquanto o DI janeiro de 2010 caiu a 12,03 por cento ao ano.

GLOBAL 40 <BRAGLB40=RR>

O título de referência dos mercados emergentes, o Global 40, subia para 131.313 por cento do valor de face no final da tarde, oferecendo rendimento de 5,999 por cento ao ano.

RISCO-PAÍS <11EMJ>

No final da tarde, o risco Brasil cedia 10 pontos, para 200 pontos-básicos. O EMBI+ estava em 227 pontos-básicos.

BOLSAS DOS EUA

O índice Dow Jones <.DJI> fechou estável, aos 13.235 pontos. O Nasdaq <.IXIC> caiu 0,43 por cento, a 2.541 pontos. O índice S&P 500 <.SPX> recuou 0,11 por cento, para 1.462 pontos.

TREASURIES DE 10 ANOS <US10YT=RR>

O preço dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos, referência do mercado, caía e o rendimento subia a 4,66 por cento no final da tarde.

(Reportagem adicional de Lucia Mutikani em Nova York, Silvio Cascione em São Paulo, Elzio Barreto e Daniela Machado em Campos de Jordão)

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