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29/08/2007 - 17h24

Hipotecas dos EUA impõem novos danos e bancos buscam dinheiro

Por David McMahon e Mike Peacock

NOVA YORK/LONDRES (Reuters) - Novas evidências de estragos causados pelo setor norte-americano de hipotecas foram vistas nos Estados Unidos e na Europa na quarta-feira, com bancos buscando dinheiro na zona do euro.

As agências de classificação de risco Moody's Investors Service e Standard & Poor's disseram nesta quarta-feira que os bancos podem sofrer declínios de dois dígitos na receita e nos lucros antes de juros ao depreciar o valor de ativos e empréstimos de risco.

O Cheyne Finance Plc, veículo estruturado de investimento sob gestão do hedge fund britânico Cheyne Capital Management, afirmou que está tentando se reestruturar após ter sido forçado a começar a vender ativos para pagar empréstimos.

O Merrill Lynch, enquanto isso, reduziu a recomendação para as ações do Bear Stearns, Citigroup e Lehman Brothers de "compra" para "neutra" e reduziu as estimativas de lucro para os bancos devido aos problemas no setor de crédito imobiliário.

"A única certeza que existe é a certeza de que mais incertezas sobre a direção dos preços dos ativos e a volatilidade estão no caminho", disse o Bank Julius Baer em relatório.

A S&P rebaixou o rating de emissão do Cheyne Finance em seis degraus. Apenas duas semanas atrás, a agência de risco disse que os veículos estruturados de investimento estavam desgastados pelos problemas causados pelo aumento da inadimplência em hipotecas de alto risco dos EUA.

O britânico Barclays, atingido por preocupações sobre sua exposição a veículos de investimento expostos a dívidas, mantém colaterais que dariam ao banco perda máxima de 75 milhões de libras (150,5 milhões de dólares), disse uma fonte familiarizada com o assunto.

AJUDA DE BANCOS CENTRAIS

Os bancos da zona do euro deram lances por um montante recorde de dinheiro nas operações regulares de financiamento de longo prazo feitas pelo Banco Central Europeu (BCE) na quarta-feira.

Os bancos centrais de todo o mundo têm injetado dinheiro no sistema financeiro para garantir liquidez.

O BCE emprestou 50 bilhões de euros por 91 dias, mas os bancos pediram um total de 119,75 bilhões de euros, com a forte demanda levando à alta do custo desses recursos.

Nos EUA, o Federal Reserve adicionou 5,25 bilhões de dólares em reservas temporárias do sistema bancário através de operações overnight.

Autoridades da União Européia estavam cautelosamente otimistas sobre a resistência do crescimento da zona do euro à crise no crédito, mas dados da Alemanha indicaram necessidade de prudência.

Levantamento do grupo de pesquisa de mercado GfK mostrou que o sentimento do consumidor alemão deve piorar em setembro devido ao temor de que a volatilidade nos mercados prejudique a economia.

Nos EUA, os pedidos de hipotecas caíram pela segunda semana seguida, de acordo com a associação que representa a indústria. Na terça-feira, dados mostraram que a confiança do consumidor norte-americano sofreu sua maior queda em quase dois anos e que os preços de moradias no país registrou a maior baixa na série histórica de 20 anos.

Em meio às turbulências nos mercados globais, os investidores estão atentos à resposta que as principais autoridades monetárias darão à crise no crédito. O BCE terá reunião regular para tratar sobre o juro na zona do euro no próximo dia 6. O Fed, por sua vez, se reúne em 18 de setembro para decidir sobre a taxa de juro na maior economia do mundo.

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