UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

29/08/2007 - 08h31

PANORAMA1-Agenda externa esfria, mas nervosismo volta à cena

Por Juliana Siqueira

SÃO PAULO, 29 de agosto (Reuters) - A agenda econômica faz uma pausa nos Estados Unidos nesta quarta-feira, mas dado o aumento do nervosismo no mercado, qualquer notícia que reforce as preocupações sobre os efeitos da crise do setor imobiliário pode ter impacto potencializado.

O índice de volatilidade VIX <.VIX> disparou quase 16 por cento na véspera e o risco-país chegou a subir mais de 10 pontos, para 211 pontos-básicos, com a retomada dos temores de que a economia norte-americana seja afetada pelos problemas do setor de hipoteca.

"Preocupações sobre uma desaceleração maior da economia por causa do mercado subprime (crédito imobiliário de risco) continuam a influenciar o mercado financeiro", disse Gary Pollack, chefe da mesa de renda fixa do Deutsche Bank Private Banking, em Nova York.

No Brasil, a agenda inclui reunião do Conselho Monetário Nacional, divulgação do resultado consolidade das contas públicas de julho e o IGP-M de agosto, que será acompanhado de perto, dada a atual pressão sobre preços que tem surpreendido o mercado e reduzido estimativas para os cortes da Selic.

Pesquisa da Reuters aponta uma inflação de 0,73 por cento para o índice, depois da alta de 0,28 por cento apurada em julho [ID:nN28256110].

Problemas no site da FGV atrasaram a divulgação do indicador, que deveria ter sido feita a partir das 8h. O dado deve ser divulgado ainda na manhã desta quarta.

Mas o que investidores querem ver mesmo é o que o chairman do Federal Reserve, Ben Bernanke, vai falar na sexta-feira, quando participa de evento sobre política monetária e moradia.

A expectativa é que ele clareie o cenário sobre o impacto da crise do setor imobiliário sobre outros setores da economia e dê sinais sobre como pretende conduzir a política monetária.

O mercado está precificando que o Fed cortará o juro norte-americano na reunião de setembro.

"A expectativa é que a volatilidade nos mercados financeiros deva permanecer por mais alguns dias, talvez ao menos até a reunião do Fomc no dia 18, pois assim os investidores terão melhores condições de estruturar suas estratégias futuras", prevê a consultoria Austin Rating.

Outro evento importante em setembro será a divulgação de balanços de bancos do terceiro trimestre, onde investidores esperam ver como está o efeito da crise. Na terça-feira, a Merrill Lynch reduziu as estimativas de lucro de Bear Stearns, Citigroup e Lehman Brothers.

No fim da terça-feira, o Goldman Sachs anunciou que divulgará o resultado do terceiro trimestre em 20 de setembro, antes da abertura do mercado. No ano passado, ele abriu a temporada de resultados do setor, em 12 de setembro.

Para ler a agenda do dia, clique [nN29276997]

Veja como encerraram os principais mercados na terça-feira:

CÂMBIO <BRBY>

O dólar terminou a 2,003 real, em alta de 2,67 por cento. O volume no segmento interbancário foi de 3,363 bilhões de dólares.

BOLSA <.BVSP>

O Ibovespa baixou 2,7 por cento, a 51.645 pontos. O volume financeiro na bolsa foi de 3,6 bilhões de reais.

ADRs BRASILEIROS <.BR20>

O índice de principais ADRs brasileiros fechou em queda de 5,03 por cento, aos 26.617 pontos.

JUROS <0#2DIJ:>

A maioria dos contratos de depósito interfinanceiro (DI) subiu na Bolsa de Mercadorias & Futuros. O DI janeiro de 2009 fechou a 11,69 por cento, enquanto o DI janeiro de 2010 foi a 12 por cento.

GLOBAL 40 <BRAGLB40=RR>

O título de referência dos mercados emergentes, o Global 40, recuava para 131.625 por cento do valor de face no final da tarde, oferecendo rendimento de 5,95 por cento ao ano.

RISCO-PAÍS <11EMJ>

No final da tarde, o risco Brasil subia 10 pontos, para 210 pontos-básicos. O EMBI+ estava em 237 pontos-básicos.

BOLSAS DOS EUA

O índice Dow Jones <.DJI> declinou 2,10 por cento, para 13.041 pontos. O Nasdaq <.IXIC> perdeu 2,37 por cento, a 2.500 pontos. O índice S&P 500 <.SPX> baixou 2,35 por cento, para 1.432 pontos.

TREASURIES DE 10 ANOS <US10YT=RR>

O preço dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos, referência do mercado, subia e o rendimento caía a 4,52 por cento no final da tarde.

(Reportagem adicional de Silvio Cascione e Angela Bittencourt)

Hospedagem: UOL Host