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10/09/2007 - 13h17

Bancos centrais seguem alertas após dados no Japão e nos EUA

Por Mike Peacock

LONDRES, 10 de setembro (Reuters) - Os bancos centrais precisam monitorar de perto o impacto da volatilidade "febril" dos mercados, disse nesta segunda-feira o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, após dados fracos do Japão e dos Estados Unidos apontarem para um dano maior à economia vindo da crise nos mercados de crédito.

"Certamente vamos nos manter alertas em um nível global. Não é hora para complacência", disse Trichet em entrevista coletiva após chefiar um encontro de autoridades monetárias na Basiléia, Suíça.

"Vamos ter que seguir muito cuidadosamente o que acontece nos Estados Unidos em particular", disse o presidente do BCE.

A economia do Japão encolheu mais do que o esperado no segundo trimestre, mostraram dados oficiais. O recuo de 0,3 por cento foi maior do que a previsão de economistas de 0,2 por cento de contração.

O dado veio a público após a divulgação, na sexta-feira, de que os postos de trabalho nos Estados Unidos tiveram em agosto a primeira redução em quatro anos, sugerindo que o aperto no crédito tenha começado a afetar o crescimento norte-americano.

Os dois relatórios aumentaram a expectativa de que o Banco do Japão mantenha o juro inalterado e de que o Federal Reserve reduza as taxas para amenizar os piores efeitos da crise, que começou com o aumento da inadimplência nas hipotecas de alto risco dos Estados Unidos.

O presidente do Federal Reserve de Atlanta, Dennis Lockhart, minimizou sua declaração anterior de que a crise imobiliária ainda não havia afetado claramente a economia, mas disse que os dados da economia real eram mistos, com alguns mostrando ainda alguma força.

"Os dados de sexta-feira... mostram que o emprego estava começando a se enfraquecer em junho. Essa notícia deve ser analisada com os recentes relatórios positivos de vendas no varejo", disse a um grupo empresarial.

O trauma nos financiamentos imobiliários dos Estados Unidos fez os bancos sufocarem os empréstimos feitos uns aos outros em meio ao esforço para calcular a exposição às perdas no setor. Isso forçou os bancos centrais ao redor do mundo a injetar recursos no sistema financeiro para evitar uma quebra.

Os investidores agora vêem como inevitável um corte do juro nos Estados Unidos até a reunião de 18 de setembro do Federal Reserve, com a especulação girando em torno da intensidade do corte --0,25 ou 0,50 ponto percentual.

As próximas semanas serão um período crítico na crise de crédito não apenas por causa da reunião do Fed. A tentativa de refinanciar cerca de 113 bilhões de dólares de commercial paper de curto prazo será um indicador importante da profundidade do problema.

Além disso, a temporada de resultados das companhias no terceiro trimestre vai mostrar em quanto os bancos serão forçados a reduzir o valor de seus ativos e se alguns farão alertas de lucro.

O banco britânico Barclays <BARC.L> disse nesta segunda-feira a investidores que a unidade de investimentos Barclays Capital estava "bem à frente" em relação a 2006, acrescentando que teve operações lucrativas em agosto apesar da turbulência nos mercados.

O Société Générale, segundo maior banco da França com listagem em bolsa, afirmou que as metas financeiras para 2007/2008 continuam inalteradas apesar das condições difíceis do mercado no último mês.

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