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02/10/2007 - 17h05

ANÁLISE-Boom de mercados emergentes substitui bolha hipotecária

Por Mike Dolan e Sujata Rao

LONDRES, 2 de outubro (Reuters) - O estouro das bolhas do mercado de hipotecas e do setor de moradias norte-americano foi subitamente substituída pelos inflados mercados emergentes, e as ações globais entraram na barganha.

Com a mentalidade de "rebanho" dos investidores globais mais acentuada, a decisão do Federal Reserve há duas semanas de combater a tensão do mercado de crédito norte-americano, reduzindo a taxa de juros, mandou investidores para Ásia, América Latina e outras regiões do mundo em desenvolvimento.

Os fluxos de investimentos para fundos de ações emergentes atingiram o patamar mais alto em 85 semanas, de 5,53 bilhões, na semana passada, com o resgate dos fundos de mercados em desenvolvimento provendo a maior parte deste dinheiro, segundo a EPFR Global, que acompanha fundos com 10 trilhões de dólares em ativos globais.

Os mercados asiáticos, excluído o Japão, receberam 53 por cento desse total.

E o efeito nos preços reflete isso. O índice MSCI de mercados emergentes acelerou mais de 13 por cento para alta recorde desde o corte do Fed em 18 de setembro levando os de 2007, até o momento, a 36 por cento. A principal bolsa de valores da China mais do que dobrou este ano. O Brasil está com alta em torno de 40 por cento.

"Me preocupo com os mercados emergentes no ano que vem. Eles são a próxima bolha desse ambiente, especialmente se o Fed decidir voltar atrás de seu corte de juro", disse Phil Suttle, diretor de macroeconomia global do Institute for International Finance.

Suttle disse que o Fed repetiu um remédio hoje quase rotineiro para a tensão no sistema bancário ocidental e parece no caminho de perpetuar um ciclo de bolhas de mercado que partiu da Ásia, em meados dos anos 1990, para o setor de tecnologia, no fim da década, e para o imobiliário depois de 2001.

Mas os mercados emergentes são mais propícios a comportamentos de bolha porque são pequenos se comparados aos mais líquidos e maduros mercados de ações e de bônus das maiores economias do mundo.

Analistas do Merrill Lynch estimam que Brasil, Rússia, Índia e China representem somente 4 por cento da capitalização mundial de mercado em comparação com os 44 por cento que o mercado acionário dos Estados Unidos representa sozinho.

"Os riscos a curto e médio prazos para os preços das ações nos mercados emergentes continuam apontando para cima e continuamos a achar que se trata de uma bolha de ativos, liderada pelos mercados Bric", disse o Merrill a clientes esta semana. O medo é que quando o dinheiro dos mercados desenvolvidos comece a inundar os emergentes, isso superdimensione os ativos já elevados e leve os problemas sistêmicos e inflacionários ladeira abaixo.

"Os mercados emergentes globais ainda são pequenos, então a migração dos administradores de ativos para mercados emergentes tem um impacto desproporcional", afirmou Richard Batty, diretor de investimento do Standard Life Investments.

"E ainda há muita liquidez aí fora", disse Batty, acrescentando que de 65 a 70 por cento dos investidores em bônus corporativos alavancados estão agora com dinheiro na mão e precisam reinvestir.

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