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24/10/2007 - 18h28

Instabilidade externa faz Bovespa cair 0,12%

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO, 24 de outubro (Reuters) - Os investidores voltaram a sofrer com a crise imobiliária e com balanços corporativos ruins nos Estados Unidos, e o clima ruim na maior parte do dia incomodou o mercado local nesta quarta-feira, com alta do dólar e dos juros futuros.

No final do dia, porém, o rumor de que o Federal Reserve possa cortar novamente a taxa de redesconto a qualquer momento acalmou os investidores e permitiu que as ações em Wall Street e na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechassem perto do zero a zero.

O porta-voz do BC norte-americano se recusou a comentar a especulação.

A Merrill Lynch , maior corretora do mundo, acendeu o sinal amarelo durante a manhã ao informar perdas maiores que as estimadas pelo mercado no terceiro trimestre.

O prejuízo de US$ 2,3 bilhões foi o primeiro em cerca de seis anos, e foi provocado principalmente por baixas contábeis de quase US$ 8 bilhões.

O mercado sentiu outro baque com a divulgação de dados da Associação Nacional de Corretores de Imóveis, que revelaram mais um sinal de fraqueza no setor imobiliário --calcanhar-de-aquiles da maior economia do mundo.

Segundo a associação, a venda de imóveis usados caiu 8% em setembro, levando o indicador para o menor nível desde o início da série histórica, em 1999.

A notícia derrubou as ações e mexeu com a expectativa do mercado de juros. A uma semana da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto do Fed, o mercado futuro chegou a indicar 100% de chance de corte de 0,25 ponto percentual da taxa básica de juros.

"Esses números parecem terríveis e certamente vão trazer muito mais medo para as pessoas que acreditam que as condições do setor imobiliário vão desacelerar o consumo por aqui", disse Andrew Richman, diretor-gerente da divisão de gestão de ativos pessoais da SunTrust, na Flórida.

No mercado de petróleo, o barril da commodity retomou a trajetória de alta e rondou os 87 dólares, afetado por uma queda inesperada dos estoques norte-americanos.

Veja como encerraram os principais mercados nesta quarta-feira:

Câmbio
O dólar terminou a R$ 1,809, em alta de 0,61%. O volume do segmento interbancário foi de US$ 3,199 bilhões.

Bolsa
O Ibovespa caiu 0,12%, a 62.624 pontos. O volume financeiro na bolsa foi de R$ 5,4 bilhões.

ADRs brasileiros
O índice de principais ADRs brasileiros fechou em baixa de 0,62%, aos 35.368 pontos.

Juros
A maioria dos contratos de depósito interfinanceiro (DI) avançou na BM&F. O DI julho de 2008, uma das posições mais procuradas no pregão, subiu a 11,28%; o DI janeiro de 2009, a 11,48%; e o DI janeiro de 2010, a 11,70% ao ano.

Global 40
O título de referência dos mercados emergentes, o Global 40, estava estável, a 134,3% do valor de face no final da tarde, oferecendo rendimento de 5,5% ao ano.

Risco-país
No final da tarde, o risco Brasil subia 3 pontos, a 180 pontos-básicos. O EMBI+ estava em 209 pontos-básicos.

Bolsas dos EUA
O índice Dow Jones teve variação negativa de 0,01%, a 13.675 pontos. O Nasdaq caiu 0,88%, para 2.774 pontos. O índice S&P 500 exibiu desvalorização de 0,24%, aos 1.515 pontos.

"Treasuries" de dez anos
O preço dos títulos do Tesouro norte-americano de dez anos, referência do mercado, subia e o rendimento caía para 4,4% no final da tarde.

(Reportagem adicional de Isabel Versiani, Angela Bittencourt e Rofolfo Barbosa)
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