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10/01/2008 - 16h34

Cresce busca de terapia por profissionais do mercado financeiro

Por Rodolfo Barbosa

SÃO PAULO (Reuters) - No mercado financeiro, ansiedade e agitação são ingredientes do trabalho. Mas, em excesso, podem provocar insônia, variação de peso, exaustão e falhas de memória --motivos que têm levado profissionais aos divãs de terapeutas.

"Os profissionais do mercado financeiro têm metas muito apertadas, que são muito difíceis de serem atingidas e que exigem maior esforço do indivíduo", observou Sigmar Malvezzi, professor do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho da Universidade de São Paulo.

Psicólogos ouvidos pela Reuters disseram que há cada vez mais pacientes vindos do mercado financeiro nos consultórios. Isso é explicado, em parte, pelo próprio crescimento do mercado de capitais brasileiro, com maior volume de negócios e mais pessoas atuando em bancos, corretoras e gestoras de recursos.

O analista Hamilton Moreira, do BB Investimentos, procurou a terapia para controlar a ansiedade, quando a insônia já era recorrente.

"Tinha dificuldades de me 'desligar' do ritmo de expediente quando saía do trabalho. Agora, depois de dois anos de consultas, vejo que melhorei bastante e já posso dar por encerrado as sessões para tratamento", afirmou.

Na maioria dos casos, de acordo com psicólogos, o paciente é tratado sem uso de medicamentos, por meio de terapia cognitiva comportamental e sessões de psicanálise.

Segundo a especialista em psicologia clínica e professora da PUC-RJ, Tereza Creuza Negreiros, a terapia serve para mostrar que o universo financeiro não condiz com a realidade fora dele. "Através de reflexões, mostramos que o cotidiano não funciona assim, que sem saúde física e mental não se pode fazer nada", disse ela.

DEPRESSÃO

Um dos casos mais comuns tratados por terapeutas é o quadro de depressão.

"Existem casos numerosos de inapetência e compulsão alimentar. Há aquele indivíduo que passa o dia se alimentando irregularmente à base de café e lanchinhos, que quando chega em casa à noite não tem apetite por nada", aponta o psicólogo Jacob Pinheiro Goldberg.

"E tem ainda o caso oposto, do profissional que, por passar o dia sem se alimentar de forma adequada, acha que na última refeição do dia tem que compensar essa deficiência alimentar."

O número de pacientes que procurou tratamento inicial no consultório de Goldberg subiu 30 por cento no ano passado. Segundo ele, a demanda é maior em momentos de crise no mercado de capitais.

Ao extremo, o estresse atinge níveis tais que passa a afetar o coração e pode ocasionar até derrames. Esses casos mais graves podem ser encaminhados para tratamento psiquiátrico e até com uso de medicamentos de venda controlada.

"A melhor terapia é a profilaxia cotidiana, cuidar de si, fazer atividade física e, principalmente, não se envolver em uma atividade mental única. Um nível de envolvimento elevado no mercado financeiro pode destruir a vida pessoal e, assim, uma carreira", observou Negreiros, da PUC-RJ.

O psicólogo Goldberg indica também a prática de artes marciais para aliviar a tensão do dia-a-dia: "Elas permitem canalizar e extravasar a agressividade sem transformá-la em destruição".

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