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21/01/2008 - 18h53

PANORAMA2-Recessão derruba bolsas mesmo com feriado nos EUA

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO, 21 de janeiro (Reuters) - O medo de uma recessão nos Estados Unidos, com impacto relevante sobre a economia global, aumentou nesta segunda-feira e trouxe perdas históricas para o mercado europeu ao mesmo tempo em que Wall Street aproveitava o feriado de Martin Luther King.

O índice das principais ações européias <.FTEU> despencou 5,79 por cento. Somadas, as perdas entre as blue-chips da Grã-Bretanha, Alemanha e França eliminaram mais de 350 bilhões de dólares em valor de mercado das empresas da região.

"A aversão a risco está espalhada e o mercado acha que (a recessão) não é uma história com foco apenas nos Estados Unidos", disse Paul Robson, estrategista cambial da RBS Global Banking.

O estopim para o aumento do nervosismo foi a decepção com o plano econômico esboçado na última sexta-feira pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. A Casa Branca e o Congresso estão costurando um pacote de até 150 bilhões de dólares para tentar evitar que a maior economia do mundo entre em recessão.

As bolsas na Ásia e no Brasil também sentiram o impacto. No Japão, a bolsa de Tóquio <.N225> caiu 3,9 por cento, acumulando baixa de 25 por cento desde julho de 2007. Em São Paulo, a Bovespa tombou 6,6 por cento.

Muitos índices de ações em todo o mundo estão agora mais de 20 por cento abaixo do pico dos últimos ciclos. Esse é um sinal tradicional de que o que está ocorrendo não é apenas uma correção, mas o começo de uma temporada baixista no mercado.

"Está ficando cada vez mais difícil, na medida em que o mercado agora está em pânico", disse Hugues Rialan, da gestora de fundos Robeco.

Mas Renato Schoemberger, operador da Alpes Corretora, ressaltou que o epicentro da crise está no exterior, e que os mercados brasileiros tiveram um desempenho relativamente tranquilo. "(Aqui) não teve desespero nenhum, até podia estar pior... O mercado está com liquidez, isso é que é importante."

Com o desmonte de posições de investidores estrangeiros, o dólar subiu 2,46 por cento, para o maior nível em quase dois meses. No mercado de juros, a maioria das taxas subiu.

Veja como encerraram os principais mercados nesta segunda-feira:

CÂMBIO <BRBY>

O dólar terminou a 1,830 real, em alta de 2,46 por cento. O volume do segmento interbancário foi de 2,3 bilhões de dólares.

BOLSA <.BVSP>

O Ibovespa declinou 6,6 por cento, a 53.709 pontos. O volume financeiro na bolsa foi de 6,1 bilhões de reais.

JUROS <0#2DIJ:>

Os contratos de depósito interfinanceiro (DI) fecharam em alta na BM&F. O DI janeiro de 2009 fechou a 12,04 por cento, enquanto o DI janeiro de 2010 subiu a 12,99 por cento.

BOLSAS DOS EUA

Os futuros do Standard and Poor's 500 <SPc1> fecharam em baixa de 62,5 pontos. Os do Dow Jones <.DJI> recuaram 546 pontos e os do Nasdaq 100 <NDc1> perderam 77,5 pontos.

(PANORAMA1 e PANORAMA2 são localizados no terminal de notícias da Reuters pelo código PAN/SA)

(Reportagem adicional de Daniela Machado e Cesar Bianconi, em São Paulo, e Jeremy Gaunt, em Londres; Edição de Vanessa Stelzer)

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