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19/02/2008 - 14h00

Ofertas na Bolsa devem retomar no 3º trimestre, avaliam analistas

Por Cesar Bianconi

SÃO PAULO, 19 de fevereiro (Reuters) - Diversas empresas brasileiras adiaram ou desistiram de vender ações neste início de ano, devido à volatilidade nos mercados financeiros globais, mas especialistas apostam na retomada das ofertas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) a partir do segundo trimestre.

Das mais de 30 operações em análise na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), cerca de metade está parada. E algumas companhias já abriram mão da oferta de ações.

"Caso haja uma normalização do cenário internacional, principalmente da economia norte-americana, acho que a gente terá um meio de ano forte e um segundo semestre muito forte (de ofertas de ações)", afirmou o sócio da KPMG Alan Riddell, da área de Corporate Finance.

Na visão de Riddell, o mercado de capitais continuará aberto a bons negócios, "de uma forma bem mais seletiva".

Em 2007, a venda de ações no mercado brasileiro cresceu para mais de 70 bilhões de reais, quase 2,5 vezes o volume financeiro registrado em 2006. A maioria no mercado duvida de um desempenho em 2008 semelhante ao do último ano.

Do início de janeiro até agora, houve apenas uma oferta de ações na Bovespa. A Nutriplant captou R$20,7 milhões. No mesmo intervalo do ano passado, a venda de ações na bolsa paulista movimentou cerca de R$ 7 bilhões.

"As companhias podem adiar a captação, mas elas têm um plano de negócios que precisam cumprir", comentou o diretor de auditoria da BDO Trevisan, Henrique Campos.

O medo de uma recessão nos Estados Unidos, em meio à crise nos setores imobiliário e de crédito, motivou a fuga de investidores de ativos mais arriscados, como ações, em janeiro. Embora as bolsas de valores tenham se recuperado este mês, ainda é cedo para afirmar que o pior da crise norte-americana já passou, segundo analistas.

Uma fonte que atua na preparação de ofertas de ações no país concorda com a avaliação de que o mercado de capitais nacional deve ficar mais aquecido a partir de abril. Porém, apenas operações de grande porte devem sair do papel, "aquelas acima de 500 milhões de dólares de empresas consolidadas ou que já estejam na bolsa".

Uma grande emissão secundária, a da Redecard ,corre o risco de não sair, segundo a mesma fonte. Dos três maiores sócios da empresa, Itaú e Unibanco já manifestaram que irão aderir à oferta apenas em condições melhores do mercado. O Citigroup,que completa o grupo de controle da Redecard, quer vender uma fatia no ativo brasileiro para cobrir prejuízos com hipotecas nos EUA.

"O Citigroup teria que arcar sozinho com todo o custo da oferta, talvez não seria vantajoso", disse a fonte, lembrando que as ações da Redecard estão sendo negociadas abaixo do preço da Oferta Pública Inicial, realizada em julho passado.

Calendário financeiro
O calendário do mercado financeiro dos EUA e da Europa, onde estão muitos dos compradores de ações brasileiras, impõe desafios às empresas que estão com o plano de emissão em banho-maria.

"Existe o ano financeiro que termina em junho no Hemisfério Norte. Julho é mês de férias por lá. Em agosto começam novas análises de investimento, aí é outra história", comentou Campos, da BDO Trevisan.

"Você consegue adiar uma oferta de ações do primeiro para o segundo trimestre. Se passar disso, você vai ter que fazer um novo projeto de emissão de ações."

A Abyara Planejamento Imobiliário foi a mais recente a cancelar o registro de pedido de oferta de ações na Bovespa, na semana passada. A empresa informou que os empréstimos são a melhor fonte para aproveitar as oportunidades de crescimento preservando o valor dos acionistas.

"Se você faz uma nova emissão aos preços atuais, que estão depreciados, você está diluindo os acionistas atuais... Então, a empresa tem a escolha de esperar uma recuperação dos preços da ação", observou Riddell, da KPMG.

"O que anima bastante a gente é que a saída de recursos estrangeiros (do Brasil) se deve muito mais a uma cobertura de posições no exterior do que a uma desconfiança na qualidade dos ativos brasileiros... É uma situação bem diferente do que a experimentada no passado", completou.

(Edição de Daniela Machado)
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