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11/03/2008 - 17h48

PANORAMA2-BCs socorrem mercado e permitem recuperação das bolsas

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO, 11 de março (Reuters) - Os bancos centrais se uniram para acudir os mercados nesta terça-feira, e o remédio contra a crise de liquidez surtiu efeito imediato: alta de mais de 3 por cento das bolsas em Nova York e aumento do apetite por ativos mais arriscados.

Federal Reserve, Banco Central Europeu (BCE), Banco da Inglaterra, Banco do Canadá e Banco Nacional da Suíça abriram as comportas e injetaram centenas de bilhões de dólares nos mercados de crédito.

A operação do Fed oferece até 200 bilhões de dólares e aumenta a classe de ativos que podem ser usados como garantia. Em outras palavras, permite que os bancos usem as notas hipotecárias, herdadas da crise no mercado imobiliário norte-americano e com pouca recepção entre os investidores, para obter títulos do Tesouro com alta liquidez.

"Uma das coisas que eles estão tentando fazer é não só aumentar a liquidez, mas também diminuir o prêmio de risco dos ativos que não são ligados ao Tesouro", disse Rudy Narvas, analista da 4Cast, em Nova York.

Muitos analistas disseram que as medidas dão apenas um pouco de oxigênio no curto prazo. Mesmo assim, o efeito sobre os mercados globais foi imediato, incluindo o Brasil.

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) subiu quase 4 por cento, e o dólar devolveu toda a alta da véspera para voltar a ser cotado abaixo de 1,70 real.

A moeda norte-americana, no meio do dia, chegou a segurar a queda, afetada pela especulação de que o governo poderia adotar medidas para conter a apreciação do real. Mas o ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou a existência de um pacote cambial no momento e abriu espaço, mais tarde, para a queda do dólar.

No mercado de juros futuros, a melhora externa ajudou os investidores a contrabalançar o dado maior do que o esperado do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em fevereiro.

A inflação oficial subiu 0,49 por cento no mês passado, após alta de 0,54 por cento em janeiro. Apesar da desaceleração, o resultado superou as expectativas de analistas. A mediana das previsões era de 0,45 por cento.

Veja como encerraram os principais mercados nesta terça-feira:

CÂMBIO <BRBY>

O dólar terminou a 1,684 real, em baixa de 1,35 por cento. O volume do segmento interbancário foi de 3,092 bilhões de dólares.

BOLSA <.BVSP>

O Ibovespa disparou 3,95 por cento, a 62.367 pontos. O volume financeiro na bolsa foi de 5,9 bilhões de reais.

ADRs BRASILEIROS <.BR20>

O índice de principais ADRs brasileiros saltou 5,09 por cento, para 37.128 pontos.

JUROS <0#2DIJ:>

Os contratos de depósito interfinanceiro (DI) fecharam em queda na BM&F. O DI janeiro de 2009 caiu a 11,95 por cento, enquanto o DI janeiro de 2010 recuou a 12,77 por cento.

GLOBAL 40 <BRAGLB40=RR>

O título de referência dos mercados emergentes, o Global 40, subiu para 133,063 por cento do valor de face no final da tarde, oferecendo rendimento de 5,51 por cento ao ano.

RISCO-PAÍS <11EMJ>

No final da tarde, o risco Brasil caía a 262 pontos-básicos. O EMBI+ estava em 286 pontos-básicos.

BOLSAS DOS EUA

O índice Dow Jones <.DJI> encerrou com valorização de 3,55 por cento, a 12.156 pontos, enquanto o Nasdaq <.IXIC> disparou 3,98 por cento, para 2.255 pontos. Os dois índices tiveram a maior alta diária desde março de 2003. Já S&P 500 <.SPX> avançou 3,71 por cento, aos 1.320 pontos, maior elevação em um dia desde outubro de 2002.

TREASURIES DE 10 ANOS <US10YT=RR>

O preço dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos, referência do mercado, tiveram forte queda e o rendimento subiu para 3,60 por cento no final da tarde.

(PANORAMA1 e PANORAMA2 são localizados no terminal de notícias da Reuters pelo código PAN/SA)

(Reportagem adicional de Aluísio Alves e Isabel Versiani; Edição de Alexandre Caverni)

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