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14/03/2008 - 17h45

PANORAMA2-Crise no Bear Stearns força socorro e choca mercado

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO, 14 de março (Reuters) - O mercado assistiu nesta sexta-feira a um dos episódios mais sérios da recente crise de crédito, com o terremoto financeiro provocado pelo quase-colapso do banco de investimentos Bear Stearns <BSC.N>.

Operadores em Londres revelaram ter recebido ordens para não negociar mais com o banco, e o presidente-executivo da instituição, Alan Schwartz, disse que os rumores sobre a falta de liquidez do Bear Stearns provocaram uma "corrida bancária".

O que salvou o quinto maior banco de investimentos norte-americano de uma possível quebra foi uma ação coordenada entre o Federal Reserve e o banco JP Morgan Chase <JPM.N>. Mesmo assim, as ações do banco despencaram mais de 40 por cento na Bolsa de Valores de Nova York.

O capítulo foi mais uma prova da disposição do Fed de socorrer as instituições em perigo e evitar uma crise sistêmica de proporções muito mais sérias. Segundo técnicos do banco central norte-americano, o último precedente de uma ação do tipo remonta aos anos 1930, durante a Grande Depressão.

A medida, porém, não evitou um calafrio generalizado nos mercados. As bolsas em Nova York desabaram cerca de 2 por cento, o dólar continuou patinando ante o euro e o iene e o risco Brasil subiu para quase 300 pontos-básicos.

No mercado de juros futuros dos Estados Unidos, começou a ser precificada com mais força a possibilidade de um corte de 1 ponto percentual da taxa básica na reunião do Fed na próxima semana. A previsão recebeu, à tarde, o respaldo do Citigroup.

A reviravolta fez o mercado esquecer o resultado surpreendente dos preços ao consumidos nos Estados Unidos. A inflação, que tem sido motivo de preocupação para os analistas, ficou estável em fevereiro, e chegou a motivar a alta das ações no começo do dia.

Veja como encerraram os principais mercados nesta sexta-feira:

CÂMBIO <BRBY>

O dólar terminou a 1,713 real, em alta de 1,24 por cento. O volume do segmento interbancário foi de 2,66 bilhões de dólares.

BOLSA <.BVSP>

O Ibovespa caiu 0,46 por cento, a 61.990 pontos. O volume financeiro na bolsa foi de 5,9 bilhões de reais.

ADRs BRASILEIROS <.BR20>

O índice de principais ADRs brasileiros fechou em queda de 2,16 por cento, aos 36.198 pontos.

JUROS <0#2DIJ:>

Os contratos de depósito interfinanceiro (DI) fecharam em alta na BM&F. O DI janeiro de 2009 subiu a 12,25 por cento, enquanto o DI janeiro de 2010 foi a 13,09 por cento.

GLOBAL 40 <BRAGLB40=RR>

O título de referência dos mercados emergentes, o Global 40, estava estável, a 132,750 por cento do valor de face no final da tarde, oferecendo rendimento de 5,55 por cento ao ano.

RISCO-PAÍS <11EMJ>

No final da tarde, o risco Brasil subia a 291 pontos-básicos. O EMBI+ estava em 309 pontos-básicos.

BOLSAS DOS EUA

O índice Dow Jones <.DJI> caiu 1,60 por cento, a 11.951 pontos. O Nasdaq <.IXIC> recuou 2,26 por cento, para 2.212 pontos. O índice S&P 500 <.SPX> cedeu 2,08 por cento, aos 1.288 pontos.

TREASURIES DE 10 ANOS <US10YT=RR>

O preço dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos, referência do mercado, subia e o rendimento caía para 3,45 por cento no final da tarde.

(PANORAMA1 e PANORAMA2 são localizados no terminal de notícias da Reuters pelo código PAN/SA)

(Reportagem adicional de ; Edição de Alexandre Caverni)

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