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29/05/2008 - 19h17

ANÁLISE-Fitch reforça grau de investimento obtido há um mês

Por Daniela Machado

SÃO PAULO (Reuters) - A Fitch perdeu o ineditismo, mas não a importância.

Ao elevar o Brasil à categoria de grau de investimento, a agência de classificação de risco confirmou o que a Standard & Poor's já fizera e, com isso, deu sinal verde a alguns fundos internacionais que precisam de ao menos dois desses carimbos para investir no país.

"Tem dois aspectos positivos, um deles é simplesmente a questão de confirmar o grau de investimento. Mas o mais importante é que muitos investidores institucionais precisam que duas agências confirmem isso. Nesse sentido, tem efeitos práticos com mais entrada" de recursos, afirmou o economista-chefe da Fator Corretora, Vladimir Caramaschi.

O dólar aprofundou a queda imediatamente após o anúncio da Fitch, já antecipando mais ingressos de recursos. No final dos negócios, a moeda norte-americana foi cotada a 1,639 real --menor cotação desde janeiro de 1999, quando começou a livre flutuação do real.

No final do mês passado, a S&P colocou o Brasil no grupo dos países com menor risco de calote. Entre as três maiores agências de risco, só falta agora o selo da Moody's.

Analistas destacaram também que o efeito da nova categoria deve ser ainda mais expressivo no médio e longo prazos, quando pode vir a "derrubar o juro real de equilíbrio" da economia brasileira, segundo Caramaschi.

Roberto Padovani, estrategista de investimentos sênior para América Latina do WestLB do Brasil, concorda com o prazo dos efeitos.

"Vários investidores exigem que você tenha duas agências recomendando um país. Nesse aspecto você tem avanços... Mas não muda muita coisa (no curto prazo), isso já vinha sendo antecipado."

Para Alberto Ramos, economista sênior do Goldman Sachs, o anúncio não é o fim dos trabalhos.

"O governo não deveria parar e festejar, mas se esforçar para conseguir ainda mais 'upgrades'. Agora (o Brasil) é grau de investimento, mas há diversas notas na categoria grau de investimento e o país deveria almejar mais", avaliou.

Agora, Fitch e S&P classificam a nota soberana em moeda estrangeira do país em "BBB-", o primeiro degrau da faixa de 10 notas que vai até o cobiçado "AAA".

Em nota, a Fitch destacou que está "mais confiante que a maior estabilidade econômica, reduzida vulnerabilidade externa, mais investimentos estrangeiros diretos e os benefícios das reformas microeconômicas do passado vão permitir um crescimento maior e mais estável".

(Com reportagem adicional de Silvio Cascione, em São Paulo, e Manuela Badawy, em Nova York)

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