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02/06/2008 - 14h48

Grau de investimento terá impacto pequeno em IPOs, diz Credit

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil não vai ver tão cedo o mercado de emissão de ações voltar a patamares vistos em 2007, mesmo após ter sido reconhecido como porto seguro de investimento por duas das principais agências internacionais de classificação de risco.

"O investment grade é positivo, mas os investidores ficaram mais seletivos", disse nesta segunda-feira José Olympio da Veiga Pereira, diretor do Credit Suisse, em palestra a investidores em São Paulo.

Em 2007, o mercado de ofertas públicas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) no Brasil movimentou 30,13 bilhões de dólares, segundo a consultoria Thomson, o que representou um salto de 296 por cento em relação ao ano anterior. O Credit liderou o setor entre os bancos, com 27 por cento de market share.

Olympio lembrou que, em 84 por cento dos casos, as ações que estrearam na bolsa paulista no ano passado tiveram desempenho inferior ao do Ibovespa, principal índice do mercado acionário doméstico, que subiu 43,65 por cento no período. Na verdade, a maior parte das novatas fechou o ano valendo menos do que na estréia.

"Teve uma enxurrada de novas empresas e não deu tempo para o mercado digerir todas elas. Boa parte ainda era desconhecida por muitos investidores, que preferiram vender os papéis para ter liquidez quando veio a crise imobiliária nos Estados Unidos", disse.

Em 2008, houve apenas três estréias na Bovespa (Hypermarcas, Nutriplant e Le Lis Blanc), com ofertas que movimentaram 890 milhões de reais, segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

De acordo com Olympio, com um cenário mais adverso no mercado internacional, os investidores estrangeiros, que compraram 75 por cento das ações de empresas brasileiras nos IPO, devem ter apetite apenas por novas ofertas de "companhias maiores, já estabelecidas".

Para o executivo, com o grau de investimento concedido ao Brasil pelas agências Standard & Poor's e Fitch, esse mercado pode ganhar algum fôlego, retomando os níveis de 2006, quando foram levantados 7,6 bilhões de dólares em IPO.

(Edição de Cláudia Pires)

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