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08/07/2008 - 16h26

JURO-DIs aproveitam petróleo em baixa e IPC em linha e caem

Por Vanessa Stelzer

SÃO PAULO, 8 de julho (Reuters) - O mercado de juros futuros aproveitou notícias menos negativas sobre a inflação para se ajustar após recentes altas, encerrando o pregão desta terça-feira com quedas de mais de 1 por cento.

Mas o recuo das projeções, ocorrida pelo segundo dia consecutivo, não deve ser uma mudança de tendência, já que o mercado como um todo continua apostando em aumento da Selic e os principais dados de inflação previstos para a semana não devem trazer alívio para a política monetária.

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) janeiro de 2010 caiu de 15,36 para 15,20 por cento ao ano. O DI janeiro de 2009 recuou de 13,50 para 13,41 por cento.

O DI agosto de 2008 --que embute as previsões para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom)-- declinou de 12,32 para 12,31 por cento.

"Tinha subido muito nos últimos dias, então o pessoal resolveu dar uma ajustada", disse o consultor de investimentos de uma corretora que preferiu não se identificar.

O mercado aproveitou um dado de inflação dentro do esperado e a queda de mais de 5 dólares do barril do petróleo em Nova York para fazer esse ajuste.

A inflação pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) foi de 0,79 por cento na primeira prévia de julho, ante 0,77 por cento no mês de junho, mas ficou exatamente em linha com a previsão mediana de 10 analistas ouvidos pela Reuters.

"Mas você pode notar que os contratos mais curtos ainda estão mais altos que há uma semana, ainda precificando altas da Selic... Os dados do IGP e do IPCA podem trazer surpresas e a queda desses dois dias vai por água abaixo", acrescentou o consultor.

CAUTELA

O mercado espera agora os dados do IGP-DI de junho na quarta-feira e do IPCA, também de junho, na quinta-feira. Ambos devem seguir altos.

Para Jankiel Santos, economista-chefe do Bes Investimento, as divulgações podem deteriorar mais as previsões do mercado.

"É provável que o resultado permaneça impactando negativamente as expectativas inflacionárias para este ano e o próximo já que a estimativa consensual de mercado disposta na última edição do relatório Focus era de 0,70 por cento", disse.

Segundo pesquisa da Reuters, a inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve ficar em 0,80 por cento em junho, um pouco acima da taxa de 0,79 por cento vista em maio. Seria a maior leitura do ano.

Para o Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI), a pesquisa apontou inflação de 1,86 por cento, próxima à de 1,88 por cento de maio --que foi a maior desde janeiro de 2003.

No mercado aberto, o Banco Central recolheu 45,373 bilhões de reais, por um dia, a 12,18 por cento ao ano.

(Edição de Daniela Machado)

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