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23/07/2008 - 14h49

Anbid vê retomada de emissões do mercado de capitais só em 2009

SÃO PAULO, 23 de julho (Reuters) - Diante um de um cenário de prolongamento da crise de crédito nos Estados Unidos, o volume de captações feito por empresas brasileiras na primeira metade do ano foi até surpreendente, mas a normalização do setor deve acontecer apenas em 2009, segundo a Anbid.

"O segundo semestre será parecido com o primeiro, com as emissões sendo bastante afetadas pelo cenário internacional. 2008 será um ano para se esquecer", disse Luiz Fernando Resende, vice-presidente da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid) em entrevista a jornalistas.

O volume total de captações de empresas domésticas por meio de instrumentos de dívida entre janeiro e junho foi de R$ 63,4 bilhões, 55,3% a mais do que em igual período do ano passado.

"É uma resultado muito bom se levarmos em conta a crise que estamos vivendo, mas esses números não espelham a realidade", avalia Resende.

Isso porque mais de metade desse montante refere-se a operações de debêntures (R$ 33 bilhões), quase totalmente emitidas por bancos para financiar vendas de veículos.

Além disso, as captações por meio de ações caíram 44,5%, para R$ 15 bilhões. A queda seria ainda maior não fosse a oferta recorde de R$ 6,7 bilhões a OGX. O número de operações recuou de 37 para 12 na comparação semestral.

De acordo com Resende, a falta de apetite dos investidores por papéis de dívida considerados mais arriscados, que se refletiu em aumento do prêmio exigido para a compra de papéis considerados de maior risco, como ações e debêntures, as empresas que precisam rolar dívidas estão se financiando por meio de instrumentos mais simples, como as notas promissórias.

Na comparação semestral, as emissões por meio desse instrumento cresceram 258,6%, para R$ 9,97 bilhões. O prazo médio das operações é de 180 dias.

"Há uma inibição do emissor em fazer emissões de prazo longo. As empresas estão preferindo operações mais curtas para evitar taxas mais salgadas. É uma ponte para rolar as dívidas por algum tempo até que o cenário melhore", disse Resende.

Na avaliação da Anbid, esse quadro tende a se estabilizar em 2009. Caso contrário, as empresas poderiam passar a bater na porta do BNDES, onde a processo de concessão de financiamentos é mais longo, porém com taxas menores.

No ano que vem, há cerca de US$ 3,5 bilhões em dívidas vincendas do setor privado.

Bancos nacionais ganham forçaA

Outra revelação do balanço da Anbid foi o aumento da participação de instituições domésticas entre os bancos coordenadores de operações.

Nas operações de renda variável, o Itaú BBA ultrapassou a ponta, deixando UBS Pactual e Credit Suisse na segunda e terceira posições, respectivamente. O BB ficou em quarto, à frente de Merril Lynch, Santander e Citi.

Na renda fixa, o Itaú BBA também ficou em primeiro, seguido por BB, Bradesco (BBI) e Unibanco.

Emissões mais rápidas

Resende anunciou que a Anbid deve assinar um convênio com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) até o próximo dia 31. Pelo acordo, boa parte do processo de aprovação das emissões de valores será assumido pela Anbid. Depois, os pedidos de registro seguirão para a autarquia, que fará uma revisão.

Num primeiro momento, esse processo vale apenas para emissões menos complexas, como nota promissórias, fundos de recebíveis e debêntures.

"Mas até o segundo semestre de 2009, esperamos que esse acordo valha também para as emissões de ações", previu o executivo.

O objetivo, disse, é acelerar o processo de aprovação das operações em até 50%. Atualmente, a CVM leva em média 30 dias para conceder aprovação a operações de renda fixa.

(Reportagem de Aluísio Alves; Edição de Vanessa Stelzer)

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