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04/09/2008 - 17h44

PANORAMA2-Economia global pisa no freio e tumultua mercados

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO, 4 de setembro (Reuters) - O mercado financeiro foi sacudido nesta quinta-feira pela falta de confiança dos investidores, com um dos pregões mais turbulentos desde o início da atual crise, há mais de um ano.

As bolsas em Nova York despencaram 3 por cento, empurrando a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) para o patamar mais baixo desde agosto de 2007. A bolsa paulista já ameaça perder o nível histórico de 50 mil pontos.

Os investidores abandonaram as ações para se refugiar no mercado de títulos do Tesouro norte-americano, considerado um porto seguro em momentos de crise. O preço dos principais Treasuries tiveram forte alta, levando o rendimento pago pelos papéis para os menores níveis em quatro meses.

No mercado de câmbio, o dólar voltou a subir em todo o mundo. A arrancada foi especialmente forte no Brasil, em meio ao desmonte de posições e à saída de investidores com maior aversão a risco. Com alta de 2,3 por cento, a moeda fechou acima de 1,70 real pela primeira vez desde abril.

O tumulto foi disparado pela percepção, cada vez maior nas últimas semanas, de que o desenvolvimento econômico chegou a um ponto crítico em todo o mundo.

Na zona do euro, a contração econômica no segundo trimestre forçou o Banco Central Europeu (BCE) a cumprir o que se esperava e manter o juro nesta quinta-feira mesmo com a inflação em um nível quase duas vezes maior do que o tolerado.

Já nos Estados Unidos, dados sobre o setor de serviços, sobre o emprego no setor privado e sobre os pedidos de seguro-desemprego também decepcionaram os investidores, ameaçando as perspectivas mais otimistas.

"Há um medo profundo quanto à desaceleração global e quanto aos dados sobre o mercado de trabalho (dos Estados Unidos) que serão divulgados amanhã", disse Haag Sherman, sócio e diretor-gerente da Salient Partners, de Houston.

O mercado espera que o relatório de emprego a ser divulgado na próxima sessão mostre o fechamento de 75 mil postos de trabalho em agosto. Seria o oitavo mês seguido de perdas no mercado de trabalho norte-americano.

Veja como encerraram os principais mercados nesta quinta-feira:

CÂMBIO <BRBY>

O dólar terminou a 1,717 real, em alta de 2,32 por cento. O volume do segmento interbancário foi de 7,145 bilhões de dólares.

BOLSA <.BVSP>

O Ibovespa despencou 3,96 por cento, a 51.408 pontos. O volume financeiro na bolsa foi de 5,2 bilhões de reais.

ADRs BRASILEIROS <.BR20>

O índice de principais ADRs brasileiros fechou em forte baixa de 5,08 por cento, aos 30.168 pontos.

JUROS <0#2DIJ:>

Os contratos de depósito interfinanceiro (DI) fecharam em alta na BM&F. O DI janeiro de 2010 subiu para 14,82 e o DI janeiro de 2012 avançou para 14,29 por cento.

GLOBAL 40 <BRAGLB40=RR>

O título de referência dos mercados emergentes, o Global 40, caía para 131,938 por cento do valor de face no final da tarde, oferecendo rendimento de 5,42 por cento ao ano.

RISCO-PAÍS <11EMJ>

No final da tarde, o risco Brasil subia 9 pontos, a 261 pontos-básicos. O EMBI+ estava em 323 pontos-básicos.

BOLSAS DOS EUA

O índice Dow Jones <.DJI> despencou 2,99 por cento, a 11.188 pontos. O Nasdaq <.IXIC> caiu fortes 3,20 por cento, para 2.259 pontos. O índice S&P 500 <.SPX> também recuou 2,99 por cento, aos 1.236 pontos.

TREASURIES DE 10 ANOS <US10YT=RR>

O preço dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos, referência do mercado, subia e o rendimento declinava para 3,63 por cento no final da tarde.

(PANORAMA1 e PANORAMA2 são localizados no terminal de notícias da Reuters pelo código PAN/SA)

(Reportagem adicional de Aluísio Alves e Fabio Gehrke; Edição de Vanessa Stelzer)

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