! Brasil quer negociar algodão com EUA antes de retaliar - 01/09/2009 - Reuters - Economia
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01/09/2009 - 19h43

Brasil quer negociar algodão com EUA antes de retaliar

Por Raymond Colitt

BRASÍLIA (Reuters) - O Brasil quer negociar com os Estados Unidos antes de fazer retaliações contra o subsídio ao algodão norte-americano, e cogita abrir uma disputa comercial com a União Europeia por causa dos medicamentos genéricos, disse o chanceler brasileiro Celso Amorim na terça-feira.

A Organização Mundial do Comércio (OMC) estabeleceu na segunda-feira as condições sob as quais o Brasil pode tomar medidas contra os EUA para compensar os subsídios ao algodão, abrindo uma disputa sobre quais sanções são aplicáveis.

"Se a sentença for cumprida (pelos EUA) não há razão para que retaliemos", disse Amorim em entrevista coletiva em Brasília. "Em breve teremos uma lista de pontos de retaliação. A presença dessa listinha vai ser muito estimulante nas negociações", afirmou ele, acrescentando que o Brasil buscará negociações antes de se decidir por qualquer retaliação.

O representante comercial dos EUA, Ron Kirk, disse que ainda não ouviu nenhuma manifestação de Amorim a respeito disso, mas estaria disposto a discutir com ele. "Minha abordagem é sempre preferir a diplomacia a métodos de maior confronto, então, saudaríamos a oportunidade de ouvir suas ideias quanto ao que poderia constituir uma resolução razoável para esta questão", afirmou.

Kirk planeja viajar ao Brasil neste mês. Os produtores de algodão dos EUA e seus apoiadores no Congresso se queixaram de que a decisão da OMC não leva em conta mudanças mais recentes nos subsídios e reduções na produção e exportação de algodão.

O Brasil diz que a decisão da OMC lhe daria direito a cerca de 800 milhões de dólares em sanções contra os EUA neste ano, incluindo 340 milhões em "retaliações cruzadas" contra serviços e propriedade intelectual.

Washington diz que as sanções valeriam cerca de 300 milhões de dólares, e que é improvável que no futuro próximo o Brasil consiga retaliar contra a propriedade intelectual.

Na mesma entrevista, Amorim disse que o Brasil também está considerando solicitar um painel de disputa formal na OMC por causa do tratamento dado aos medicamentos genéricos na União Europeia.

"Vamos olhar as consultas, ver o que eles têm a dizer e aí vamos decidir se haverá um painel", disse Amorim.

Países em desenvolvimento entraram em atrito no final do ano passado quando as autoridades alfandegárias europeias detiveram um carregamento indiano de medicamentos genéricos contra a hipertensão destinado ao Brasil.

Eles alegam que esse incidente e várias outras detenções de genéricos ameaçam a saúde de milhares de pessoas pobres. Os países em desenvolvimento argumentam que os países ricos estão praticando protecionismo e tentando reverter o tratamento privilegiado que os países pobres obtiveram nos últimos anos.

(Reportagem adicional de Roberta Rampton em Washington)

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