! Copom mantém Selic em 8,75% após cinco cortes - 02/09/2009 - Reuters - Economia
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02/09/2009 - 19h14

Copom mantém Selic em 8,75% após cinco cortes

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA (Reuters) - Em meio a sinais de recuperação da economia, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve nesta quarta-feira a taxa básica de juro em 8,75 por cento ao ano e reforçou a percepção do mercado de que a Selic continuará nesse nível por vários meses.

A decisão interrompeu o ciclo de relaxamento monetário iniciado em janeiro, que reduziu os juros básicos em 5 pontos percentuais, para o menor patamar da história.

"Levando em conta, por um lado, a flexibilização da política monetária implementada desde janeiro, e por outro, a margem de ociosidade dos fatores produtivos, entre outros fatores, o comitê avalia que esse patamar de taxa básica de juros é consistente com um cenário inflacionário benigno", afirmou o Copom em comunicado.

Além disso, acrescentou o colegiado do BC, o atual nível da Selic contribui "para assegurar a manutenção da inflação na trajetória de metas ao longo do horizonte relevante e para a recuperação não inflacionária da atividade econômica".

Pesquisa da Reuters no final da semana passada mostrou que 26 de 27 analistas consultados já esperavam a manutenção do juro. Um economista previu corte de 0,25 ponto.

A avaliação predominante é de que a Selic seguirá em 8,75 por cento até pelo menos meados de 2010.

"A parada mostra que (os membros do Copom) acabaram o processo e vão ficar um bom tempo com a taxa nesses níveis", afirmou o economista-chefe do WestLB, Roberto Padovani. "A expectativa de retomada forte da economia e seus eventuais impactos na inflação fazem com que eles sejam corretamente cautelosos agora."

RECUPERAÇÃO

Dados recentes de produção e emprego indicam retomada da atividade econômica após a forte desaceleração desencadeada pela crise financeira global.

A produção industrial cresceu mais do que o esperado pelo mercado em julho e de forma mais disseminada, com a maioria dos setores apresentando desempenho positivo na comparação com junho.

O desemprego também surpreendeu positivamente em julho, quando atingiu o menor patamar desde dezembro, de 8 por cento.

O uso da capacidade instalada, indicador destacado no comunicado do BC, interrompeu em junho a trajetória de alta que durava quatro meses.

"Acreditamos que o comunicado sinaliza que a Selic ficará estável em 8,75 por cento ao ano por um longo período, pois a velocidade da recuperação não gerará pressões inflacionárias, dada a ainda elevada ociosidade da economia brasileira", avaliou Ricardo Denadai, economista sênior da Santander Asset Management.

"Além disso, julgamos que um provável aumento das importações..., que seguramente será direcionada para os países emergentes em recuperação, incluindo o Brasil, ajudará a manter um cenário benigno para os preços do bens comercializáveis."

A inflação ainda segue comportada, com as expectativas do mercado para 2008 e 2009 indicando variação abaixo do centro da meta. Mas os economistas argumentam que o BC precisa esperar que os efeitos dos estímulos fiscais do governo e dos cortes de juro já promovidos se materializem integralmente.

A última ata do Copom, divulgada no final de julho, já havia indicado a interrupção dos cortes. No documento, o BC destacou a importância de "uma postura mais cautelosa" para garantir recuperação consistente da economia nos próximos trimestres.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou em nota à imprensa que a interrupção da queda do juro foi "inaceitável", uma vez que a indústria ainda sofre "efeitos recessivos" da crise.

O Copom voltará a se reunir em 20 e 21 de outubro.

(Reportagem adicional de Paula Laier e Aluísio Alves)

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