! Pior pode ter passado na zona do euro, mas ajuda não deve acabar - 02/09/2009 - Reuters - Economia
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02/09/2009 - 11h57

Pior pode ter passado na zona do euro, mas ajuda não deve acabar

Por Marcin Grajewski e Jan Strupczewski

BRUXELAS (Reuters) - O pior já passou para a economia da zona do euro, mas ainda é muito cedo para retirar os estímulos fiscais, avaliaram economistas e autoridades europeias da área de finanças nesta quarta-feira, após dados mostrarem que a pior recessão da região desde a Segunda Guerra Mundial pode estar terminando.

A agência de estatísticas Eurostat confirmou que o Produto Interno Bruto (PIB) dos 16 países que utilizam o euro caiu apenas 0,1 por cento no segundo trimestre, após contração de 2,5 por cento nos três meses anteriores.

"O pior já passou, por enquanto", disse o presidente do conselho de ministros de Finanças da zona do euro, Jean-Claude Juncker, antes de um encontro dos ministros e do Banco Central Europeu (BCE).

O Japão está tecnicamente fora da recessão com um crescimento de 0,9 por cento no segundo trimestre, mas a economia dos Estados Unidos segue retraída, com queda de 0,3 por cento na comparação trimestral no mesmo período.

Economistas acreditam que, após um grande desmonte de estoques nos trimestres passados, as empresas da zona do euro começarão a refazê-los no segundo semestre do ano, impulsionando a produção. Uma retomada gradual da demanda global deve ajudar as exportações da zona do euro.

"Os tempos de recessão acabaram e a recuperação pode começar", disse Carsten Brzeski, economista no ING. "O fluxo recente de dados indica que a zona do euro como um todo deve abandonar a recessão técnica no terceiro trimestre."

Os números, contudo, mostraram que o PIB do segundo trimestre foi influenciado pelos estímulos fiscais, que elevaram os investimentos do governo e a demanda das famílias.

Juncker disse que é muito cedo para encerrar o apoio público. "O momento ainda não é de retirar os estímulos fiscais. Nós precisamos continuar com o esforço ao longo deste ano e do próximo, então teremos que concordar com uma estratégia de saída", afirmou.

Ministros de Finanças de 27 países da União Europeia provavelmente enviarão uma mensagem similar no final do encontro desta quarta-feira e apresentarão isso aos ministros do G20 nos dias 4 e 5 de setembro, em Londres, disseram fontes.

ESTRATÉGIAS DE SAÍDA

Governos ao redor do mundo têm gastado trilhões de dólares em pacotes de estímulo econômico, levando a um debate sobre como eventualmente remover esse suporte. As economias podem se enfraquecer novamente se a ajuda for retirada cedo demais, mas pressões inflacionárias podem crescer se ela permanecer por muito tempo.

O ministro das Finanças da Grã-Bretanha, Alistair Darling, disse nesta quarta-feira que o os ministros de Finanças do G20 devem concentrar suas conversas em formas de assegurar a recuperação das economias do mundo.

A Alemanha conclamou outros países da UE esta semana para começar a retirada da ajuda pública com a recuperação ganhando corpo, e o ministro de Finanças holandês, Wouter Bos, disse nesta quarta-feira que uma estratégia de saída é necessária para proteger o valor do euro.

Mas a ministra da Economia da França, Christine Lagarde, disse à Reuters na terça-feira que a economia ainda não está fora da crise e, assim, é muito cedo para remover as medidas de estímulo.

Fontes próximas do encontro dos ministros da UE disseram que as 27 nações do bloco provavelmente discutirão no início de 2010 quando e como conter os estímulos dos governos.

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